[[legacy_image_95488]] A inflação, como explicaram os economistas a A Tribuna na edição desta terça-feira (24), está associada aos custos, principalmente o efeito do dólar sobre os preços das matérias-primas, e menos à demanda, quando o consumo em alta pressiona a oferta. Com muita exportação e subida dos juros atraindo investidores estrangeiros, pensava-se que o câmbio cairia para R\$ 4,50, reduzindo o impacto da moeda americana na economia brasileira. Entretanto, a crise entre os poderes, em coincidência com instabilidades no exterior, como o crescimento da China abaixo do esperado, reaqueceu o câmbio, que nos últimos dias ficou entre R\$ 5,30 e R\$ 5,40 – 20% acima do que era esperado. Contra o impacto internacional pouco pode ser feito, mas o interno, este sim já deveria ter sido resolvido. Por isso, se tornou urgente o encerramento da briga na Praça dos Três Poderes. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Uma pacificação completa se sabe que não haverá, considerando o temperamento do presidente, seu momento de queda nas pesquisas e as disputas que surgirão conforme a fase eleitoral se aproximar. Entretanto, o foco precisa voltar à equipe econômica e à negociação dos aliados do governo no Congresso, para votar temas importantes para o cidadão e as empresas, principalmente as reformas. É previsível que algumas propostas de amplo alcance, como a que muda o Imposto de Renda, se arrastem devido à reação dos vários setores atingidos de forma profunda. Porém, a guerra política é desastrosa, nesse momento, para o andamento das ferramentas para estimular a economia. A crise isola o presidente e dificulta ele próprio de obter recursos para deslanchar seus programas de transferência de renda e de geração de emprego. Em meio ao discurso centrado no voto impresso, o mercado financeiro já está convencido de que o governo quer escapulir do teto de gastos, regra que limita às despesas deste ano às do ano passado corrigidas pela inflação. Mesmo com a inflação com motivadores tão claros, como o citado peso do dólar sobre os custos, a confiança no governo é de extrema importância para facilitar o trabalho do Banco Central. Desde o período hiperinflacionário nos anos 1980, há indexadores nos contratos que incorporam rapidamente o reajuste dos preços, uma escalada que costuma exigir juros muitos elevados e corte profundo dos gastos públicos, política já conhecida e que deixou muitos traumas. O principal deles é o crescimento baixo da economia intercalado de recessões ou períodos de estagnação. O Brasil não consegue avançar como nações que, até 40 anos atrás, estavam no mesmo patamar que o País, como China e Coreia do Sul. O próprio BC prevê mais inflação no lado dos serviços, reflexo da abertura da economia até o fim do ano. A alta dos preços tem sua própria dinâmica e a subida dos juros logo terá seus reflexos nos índices, mas o governo precisa manter a confiança da sociedade de que será capaz de conduzir a economia à normalidade.