A produção industrial no Brasil voltou a registrar queda em junho, confirmando trajetória de dificuldades. São dois meses consecutivos de recuo - 0,1% em maio e 0,6% em junho, na comparação com o mês anterior - sendo que, nos seis primeiros meses deste ano, o setor acumulou redução de 1,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Os números revelam ainda que, dos 26 ramos que são pesquisados pelo IBGE, 17 tiveram queda, sendo que as principais categorias - máquinas e equipamentos, produtos alimentícios e veículos automotores, reboques e carrocerias - apresentaram redução no volume produzido. Na comparação anual, os dados são ainda piores. A produção industrial retraiu 5,9% em junho, em relação ao mesmo mês de 2018, embora os dados venham oscilando bastante (em maio houve avanço de 7,4%), indicando que a recuperação do setor ainda é muito incerta e duvidosa. O atual nível da indústria nacional está hoje 20% abaixo do observado em 2014, demonstrando os efeitos da recessão econômica. Além da crise, faltam políticas para o desenvolvimento do setor. É fato que, em todo o mundo, a participação da indústria na economia declina, em detrimento especialmente dos serviços, mas isso é fenômeno principalmente dos países desenvolvidos. No Brasil, nota-se que, além da falta de investimentos diretos nas plantas, instalações e máquinas, não tem havido a necessária preocupação e cuidado com a inovação e tecnologia, decisivos para aumentar a produtividade e competitividade. A partir da crise de 2008 a indústria brasileira sucumbiu à concorrência internacional, perdendo espaços, em cenário de aumento de custos da produção em reais (principalmente aumento de salários acima da produtividade) e forte apreciação do câmbio nominal e real. Sem condições de competir no exterior, as indústrias voltaram-se ao mercado interno, enquanto grande parte da demanda passou a ser suprida por importações. O resultado foi desindustrialização: empresas limitaram-se a ser montadoras de produtos importados e muitas encerraram suas atividades. Um dado que ilustra bem a situação da indústria brasileira é a perda na corrida pela automação. Em 2017, o País tinha apenas 12.373 robôs industriais, 18º no ranking internacional, e mais da metade dela estava concentradana área automobilística. O índice de robôs para cada 10 mil trabalhadores ficou em 13,6, quando a média mundial situa-se em 80, puxada pelos países desenvolvidos. Se a indústria nacional crescer 2% ao ano, meta ainda muito distante, serão necessários dez anos para recuperar o nível de produção de 2014, sem mencionar o atraso tecnológico atual. O quadro é muito negativo, com pessimismo generalizado, o que não convém ao desenvolvimento nacional, que depende do avanço das indústrias.