[[legacy_image_330371]] Com tantos problemas a serem resolvidos, como ensino deficiente, saúde com carência de recursos e uma violência urbana assustadora, seria muito melhor se o governo não gastasse sua energia com assuntos paralelos e sem urgência para o País, como interferir na gestão da Vale, mineradora privatizada há quase 27 anos. Nos últimos dias, conforme reportagens, o Palácio do Planalto articulou pela indicação do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega para o comando da empresa, desistindo pela dificuldade de ser uma corporation (controle acionário diluído no mercado, sem um dono específico) e pela repercussão negativa no mercado financeiro. Mas, o que teria levado ao recuo foi a expectativa da iniciativa ser derrotada no Conselho de Administração da Vale, que ainda vai se reunir nesta semana. Mas não se sabe se pelo menos Mantega ocupará uma das duas cadeiras que o fundo de pensão Previ (dos funcionários do Banco do Brasil) detém no organismo. Não é a primeira vez que o atual governo contesta a privatização de uma estatal, como no caso da Eletrobras, empresa responsável por um quinto da geração da energia do País. A Advocacia-Geral da União (AGU) tenta na Justiça aumentar os votos da administração federal na companhia. Além disso, no ano passado, houve a tentativa de reverter o marco do saneamento, que atrai capital privado para um segmento essencial para a saúde da população e que nunca recebeu os investimentos adequados para atingir as metas de atendimento universal. Não se trata de defender o liberalismo, pois nem mesmo os americanos o praticam de forma pura. O Governo Biden, assim como manteve a guerra comercial com a China iniciada pelo antecessor Donald Trump, agora faz investimento trilionário para reorganizar a globalização industrial que tanto beneficiou o país asiático. Hoje há um grande movimento dos EUA para levar para parceiros ‘confiáveis’ e próximos, como México e Canadá, fábricas e serviços que poderiam ficar bloqueados em outras regiões do globo em um conflito com retaliações econômicas. No âmbito da economia, espera-se que o governo se concentre na condução de tarefas desafiadoras, como manter a austeridade perante uma necessidade de modernização da máquina pública e investimentos para atender uma numerosa população que depende de programas sociais. Ou ainda reduzir mais aceleradamente o déficit habitacional, estimado pela União em 6 milhões de unidades, fazer a transição dos combustíveis fósseis para fontes limpas, trabalhar pela continuidade da geração de empregos e expandir um programa muito bem-intencionado, o Desenrola. Por fim, reduzir o custo Brasil para que o crescimento seja mais forte e sustentável. Resultados positivos já começaram a aparecer, como o aumento do Produto Interno Bruto acima do esperado, mas não se pode perder esse ritmo. É necessário manter o foco nas prioridades.