[[legacy_image_249072]] Há exato um ano, a Rússia mostrava que não blefava, invadindo a Ucrânia e dando início a uma guerra injusta, trágica, com 9,6 mil civis mortos (contagem do governo ucraniano) e uma economia (da Ucrânia) que encolheu 30%. A intenção do presidente russo Vladimir Putin era, no alto de seu excesso de confiança, controlar o país por meio do adesismo em pouco dias ou semanas, mas o conflito se arrastou, com os dois lados entrincheirados no leste. Na prática, essa demora foi sua primeira grande derrota, enquanto a segunda é ter unido o Ocidente contra Moscou. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! No Brasil, houve a troca de governos, mas a posição do País perante a guerra pouco mudou, que é a de não assumir um lado. O presidente Lula recentemente disse que a Rússia não deveria ter invadido a Ucrânia e se dispôs a discutir um processo de paz entre as duas nações, o que para Kiev não tem o mínimo sentido – o país foi agredido e teve cidadãos e sua infraestrutura atacados. Os emergentes não têm a obrigação de se alinharem às potências. A China, pressionada pelo apoio americano a Taiwan e em disputa tecnológica e comercial com os americanos, optou por uma aliança antagônica com Moscou. Lamenta a guerra, sem participar militarmente, mas comercialmente atua com os russos. Lula, que de início disse que quando um não quer dois não brigam, foi muito infeliz na declaração, pois se trata de uma invasão, se reposicionou e viu sua sugestão de discutir a paz ganhar algum fôlego. Enquanto para Putin o discurso é de sua Rússia ser ameaçada pela adesão de ex-dominados por Moscou à Organização Tratado do Atlântico Norte (Otan), a aliança militar do Ocidente, os europeus se perguntam qual será o próximo invadido se o líder russo não for contido. Em uma resposta à visita do presidente Joe Biden ao ucraniano Volodymyr Zelensky no começo da semana, Putin, além de rasgar acordo nuclear, retirou o aval à soberania da Moldávia sobre a Transnístria (faixa entre a Moldávia e sudoeste da Ucrânia), pró-Rússia. A Moldávia apoia a Ucrânia e não recebe mais o gás russo. Esse insumo se tornou arma para Moscou, gerando pressão inflacionária no segmento de energia da Europa. Impressionantemente, após um ano, os efeitos econômicos não foram tão ruins como esperados e a Alemanha, por exemplo, soube utilizar fontes alternativas ou o antigo carvão para não definhar com o sumiço do gás russo. Dos outros impactos, os países parecem ter se adaptado ao boicote às exportações russas de fertilizantes ou à redução dos alimentos ucranianos do mercado. Por incrível que pareça, o petróleo caiu ao redor de US\$ 80, derrubando as previsões de barril a US\$ 150 ou mais. A economia russa não afundou como se esperava, recuando pouco menos de 3% no ano passado – o problema será 2023. O discurso oficial é sobre o futuro da Ucrânia, mas o foco está no reequilíbrio de forças das duas potências nucleares, com a China correndo paralelamente.