[[legacy_image_238396]] Para analistas, o governo se fortaleceu politicamente após os atos antidemocráticos do último domingo, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atraindo uma frente em defesa do estado de direito. A robustez das instituições se mostrou inegável, mas fica a dúvida de como será a governabilidade da atual gestão perante um Congresso mais conservador nos costumes e na economia na legislatura que ainda vai começar. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Para os cidadãos comuns e as empresas, que têm dívidas para pagar e planos para realizar, a expectativa é por resultados práticos com os programas sociais e a política econômica de Fernando Haddad. Para o cientista social Octavio Amorim Neto, em entrevista ao jornal Valor, Lula deve aproveitar o momento de liderança da frente democrática para entregar bons resultados econômicos e sociais. Isto é, não deve se acomodar com os ventos favoráveis que os fatos geram ao Palácio do Planalto, mas investir em uma gestão esmerada e cuidadosa na parte executiva (educação, saúde, transportes e segurança pública) e no trato com as contas públicas. Depois de se alterar a Constituição para gastar mais, como foi o caso da Proposta de Emenda Constitucional voltada ao Bolsa Família, há o risco de se achar que é sempre possível esticar a corda um pouco mais para entregar as promessas de campanha. Pelo contrário, cada vez que o governo gasta além do que arrecada, o endividamento público aumenta a juros bem mais altos. Octavio Amorim Neto também espera do presidente uma dedicação maior aos militares, que ficaram distantes dos governos civis desde os tempos de José Sarney. Há uma restrição muito grande de generais ao petista, mas estes cumprem seu papel institucional. Desde quarta-feira estão participando mais a fundo das operações de segurança na Esplanada contra eventuais incursões de golpistas. Por último, o analista menciona a importância da política externa, um ponto forte de Lula, que conta com a boa vontade internacional, rompendo o isolamento diplomático. Isso é muito importante, pois há uma série de iniciativas que serão fundamentais para turbinar o crescimento do País via comércio exterior. O Brasil está na mira de restrições a exportações resultantes de áreas desmatadas nos últimos anos, assim como paradoxalmente poderá receber capitais para investir na preservação do meio ambiente. Seja via Fundo Amazônia ou créditos de carbono, em um ingresso estimado em quase R\$ 100 bilhões em dez anos. A política externa ganha importância ao se constatar que o Brasil virou alternativa de investimento devido à geopolítica (isolamento da Rússia ou China) e à tendência de recessão nos países ricos (no Brasil, os ativos ainda estão mais baratos do que lá fora). Lula, de certa forma, pode voltar a ser beneficiado pelo economia externa, tal como foi pela alta das commodities nos seus primeiros dois mandatos.