A redução do desemprego precisa ser a meta de curto prazo prioritária do governo. Enquanto esse índice não cair, o trabalhador não terá segurança para consumir ou tomar crédito e, sem a retomada do consumo, as empresas não ganham sustentação para voltar a investir. O Ministério do Trabalho apurou a geração de 408 mil empregos com carteira no primeiro semestre, o melhor resultado para o período desde 2014. O resultado é animador, mas mesmo assim não garante que a tendência é de recuperação. Observando-se as estatísticas ao longo dos meses, o país permanece com os mesmos 13 milhões de desocupados desde o último trimestre de 2017. Em meados do ano passado, começou a despontar uma melhora desse indicador, mas depois esse sinal não se confirmou. Reflexo do Produto Interno Bruto (PIB), que ficou anêmico agora em 2019. Com inadimplência elevada e fábricas ociosas, não há vigor para o País se desenvolver em ritmo mais forte. Na Baixada Santista, o desempenho do emprego é semelhante ao do país, com altos e baixos, e diferente entre as cidades. No semestre passado, Cubatão e Praia Grande geraram, respectivamente, 512 e 335 vagas, enquanto as demais ficaram no vermelho (mais demissões que admissões). Na soma regional, foram perdidos 1.750 postos de trabalho no período. O desempenho de Cubatão é importante porque a cidade produz insumos que são base para outros segmentos, como a indústria (petroquímicos e siderúrgicos) e agronegócio (fertilizantes). Há anos o parque industrial paulista tem encolhido, o que é ruim para Cubatão, mas talvez essa crise setorial esteja sendo contida por ajustes – como aumentar a produtividade antes de partir para uma expansão, algo que depende do crescimento mais intenso do país. A estratégia do ministro da Economia, Paulo Guedes, foi o tudo ou nada na reforma da Previdência, em detrimentos das micromedidas prometidas nas eleições. São pequenas e médias iniciativas de modernização para reduzir a presença do Estado na economia, quebrar monopólios, derrubar custos das empresas e desburocratizar. Isso está sendo feito apenas agora, como é o caso do Novo Mercado do Gás, que prevê reduzir o preço do combustível em até 40%. Com desemprego e inadimplência elevados, a economia precisava ter recebido sinais mais contundentes para ganhar ânimo. A reforma é o sinal mais forte de que o saneamento das contas do governo avançará, o que melhora o ambiente de negócios. Porém, a sensação de bagunça no Executivo, alimentada pelo círculo próximo do presidente Jair Bolsonaro, talvez tenha enterrado as expectativas do empresariado pelo crescimento. A liberação do FGTS não terá lá o impacto que se esperava, mas será melhor do que nada. Se Guedes acelerar suas medidas, talvez o mercado de trabalho ganhe vigor neste semestre.