[[legacy_image_148561]] A cada semana deste ano que passa, economistas e empresários parecem olhar mais para 2023, porque não há muita esperança em relação a 2022 em termos de crescimento. Com juros tão altos, o Produto Interno Bruto (PIB) ficará ao redor de zero, segundo as previsões do Boletim Focus do Banco Central. Se a inflação anual cair dos atuais 10% para 5%, a Selic, que ainda deve subir para quase 13%, vai recuar para apenas 11,75% até dezembro. Do lado da política, a disputa eleitoral, sem entrar na seara de possível crise institucional, pode fazer explodir uma série de medidas complicadoras para as contas públicas. Por exemplo, reduzir a carga tributária dos combustíveis e aumentar salários dos servidores federais sem a contrapartida de gerar novas fontes de impostos ou cortar gastos públicos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Esse contexto não é dos melhores, mas também não ajuda ficar inerte sob um pessimismo desmedido. A torcida é para que o Banco Central trabalhe da melhor forma possível, acertando na dosagem e não abusando como no ano passado, quando manteve os juros muito baixos, enquanto já era conhecido que a inflação avançava de forma perigosa para vários setores a partir da disparada dos alimentos e dos combustíveis. Há alguns fatores de viés positivo que podem evitar uma recessão, como alguns bancos preveem. O desemprego está em queda, obras de infraestrutura devem começar a sair do papel e grandes grupos líderes em seus mercados já anunciaram investimentos para manter seus domínios com a reabertura da economia – se a covid-19 for derrotada ou mantida em baixos níveis de contaminação. Espera-se ainda que o marco do saneamento básico atraia investimentos privados para esse setor tão menosprezado pelos governos. Por outro lado, fica a expectativa do reflexo dos projetos de digitalização dos mais variados setores, da educação aos bancos, das indústrias ao setor público, uma herança da necessidade de isolamento na pandemia. Novos empregos de base tecnológica serão gerados, mas persiste a dúvida se haverá eliminação de empregos da economia tradicional, como o comércio físico. De qualquer forma, a própria reabertura vai devolver faturamento aos serviços, do turismo aos transportes, gerando alguma sensação de crescimento. A questão é em que medida os juros altos poderão retardar ou abrandar essa retomada. Não há como escapar de algum impacto. O crédito, agora mais caro, é fundamental para os consumidores voltarem às compras e as empresas readequarem seus estoques ou instalações para as novas condições de mercado. Ainda sem ter certeza até quando a pandemia vai durar, já se sabe que seus efeitos estruturais na economia serão de longo prazo. Porém, não há como inventar no campo das contas públicas. Com juros elevados e gastos em ritmo frenético, o risco é de empurrar problemas ainda maiores, como capacidade quase nula do Estado investir, para o próximo governo.