[[legacy_image_328563]] O mundo caminha em direção a um futuro preocupante, para dizer o mínimo, quando o assunto são conflitos militares. Na semana passada, duas notícias ligaram o alerta dos observadores internacionais. Horas depois de a Rússia anunciar que a operação militar na Ucrânia só vai terminar quando os ucranianos desistirem de se juntar à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), foi confirmado pela Otan o maior exercício militar em pelo menos 35 anos, desde o fim da Guerra Fria. Com 90 mil soldados, a atividade terá a participarão de 50 navios de guerra, 80 aviões e 1.100 veículos de combate de todos os tipos. Os militares participarão de uma série de exercícios conjuntos que trabalharão com o cenário de um “ataque russo”, segundo o comandante-geral da Otan na Europa, o general Christopher Cavoli. Trata-se do maior jogo de guerra desde o exercício Reforger, em 1988, em plena Guerra Fria. O exercício militar, que começará nesta semana e deve se estender até maio, ocorre próximo do aniversário de dois anos da invasão da Ucrânia pelas tropas de Vladimir Putin. A Suécia, que pleiteia uma vaga na aliança militar, sob forte oposição da Rússia, também participará das manobras. A Coreia do Norte, por sua vez, testou um drone de ataque submarino com capacidade nuclear, em resposta a um exercício naval combinado da Coreia do Sul, dos EUA e do Japão, no início da semana. O regime norte-coreano culpa os vizinhos rivais pelo aumento nas tensões na região. O teste do drone, supostamente projetado para destruir embarcações navais e portos, ocorreu dias depois que o líder norte-coreano, Kim Jong-un, rejeitou o objetivo estratégico de longa data de uma reunificação pacífica com a Coreia do Sul e afirmou que seu país reescreverá sua Constituição para definir os sul-coreanos como seus inimigos primários e adversários mais hostis. Nos últimos dias, a Coreia do Norte aboliu as principais agências governamentais encarregadas de cuidar das relações com a Coreia do Sul. A Assembleia Popular Suprema da Coreia do Norte disse que os dois países estão presos em um “confronto agudo” e seria um grave erro a Coreia do Norte considerar a vizinha como sua parceira na diplomacia. O saldo de todos estes conflitos só pode ser ruim. Até porque se somam a tantos outros, como a guerra entre Israel e Palestina e a disputa interna no Sudão do Sul, que é pouco falada, mas já deixou mais mortos do que a invasão russa à Ucrânia. Infelizmente, a esperança de dias melhores não surge no horizonte. Nos dias atuais, os envolvidos nos confrontos se mostram mais inconsequentes do que as autoridades que protagonizaram a Guerra Fria. Na época, o telefone vermelho, linha direta entre russos e norte-americanos, foi o bastante para evitar uma briga que poderia dizimar a humanidade. Hoje, a comunicação ficou mais rápida e fácil, porém a intolerância viaja à velocidade da luz.