[[legacy_image_262230]] O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou notoriedade, desde sua primeira gestão, em 2003, pela espontaneidade das falas, pelo linguajar simples e acessível, de fácil compreensão por todos os brasileiros, mesmo os mais humildes moradores dos rincões deste País. De certa forma, essa simplicidade cativa até mesmo nas relações internacionais, nas quais o hábito formal e protocolar parece criar barreiras e pasteurizar as conversas. Lula 1 e Lula 2 foram governos assim, e sempre houve certa admiração pela eloquência dos discursos, em geral feitos de improviso, mas com a contextualização adequada e fatos históricos relevantes. Lula 3, porém, não começou bem, e o presidente já coleciona um leque de impropérios em apenas quatro meses de governo, o que começa a fazer sua equipe de assessores repensar sua agenda de discursos públicos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Um dos mais recentes foi sobre a guerra entre Ucrânia e Rússia, que gerou reação dos Estados Unidos e de países europeus. “É preciso que os Estados Unidos parem de incentivar a guerra e comecem a falar em paz”, disse, durante viagem à China. “O Putin não pode ficar com terreno da Ucrânia. Talvez nem se discuta a Crimeia, mas o que ele invadiu de novo vai ter que repensar”. E sobre a Ucrânia: “Já o Zelensky não pode também ter tudo o que ele pensa que vai querer”. As bizarrices não são apenas políticas, mas comportamentais também, como quando se referiu aos indivíduos com transtornos mentais como “pessoas com problemas de desequilíbrio de parafuso”, ao comentar sobre a tragédia ocorrida em escola de Santa Catarina. Ainda no campo das distorções linguísticas, falou sobre a obesidade do ministro da Justiça, Flávio Dino: “A nossa médica que é ministra da Saúde sabe perfeitamente bem que a obesidade causa tanto mal quanto a fome. É por isso que o Flávio Dino está andando de bicicleta, porque ele sabe que isso vai precisar que o Estado cuide com muito carinho desse mal”. Outro impropério, desta vez não com as palavras, mas com a verbalização de pensamentos sem qualquer fundamentação, foi em relação ao senador Sérgio Moro, ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro. A Polícia Federal havia descoberto plano de facção criminosa para sequestrar e matar o ex-ministro e outras autoridades. Ao comentar a notícia, Lula disparou: “Eu acho que é mais uma armação do Moro. Eu quero ser cauteloso, eu vou descobrir o que aconteceu, é visível que é uma armação do Moro”. Com esse tipo de postura, o presidente Lula repete um perfil de comportamento que muito caracterizou os quatro anos de Jair Bolsonaro, bastante criticado pelas falas misóginas e preconceituosas, e também de desdém em relação às vítimas da covid-19, por exemplo. Lula precisa ter claro o alcance de suas palavras e o estrago que provocam à sua imagem, à imagem do Brasil e, principalmente, à imagem de país que todos querem construir lá fora.