[[legacy_image_253773]] O caso de Patrícia Linares, aluna de 44 anos alvo de etarismo por parte de colegas do curso de Biomedicina da Unisagrado, em Bauru (SP), mais do que reflexo de uma grosseria e nenhuma vergonha de expor preconceito, representa um deboche que merece veemente reprimenda. Em vídeo viralizado no dia 10, três alunas dizem que Linares deveria estar “aposentada” e que poderia ser “desmatriculada”. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Entretanto, essa estupidez contraria as tendências do ensino, no qual não há mais limite de idade para começar ou voltar a cursar Ensino Superior. Ainda mais com o progresso da ciência, que permite viver mais e com saúde, e com aqueles que precisam trabalhar devido ao aumento dos custos e do baixo valor da aposentadoria. O Censo da Educação Superior, do Ministério da Educação (MEC), mostra que o número de calouros a partir dos 40 anos quase triplicou entre 2012 e 2021, conforme o jornal O Estado de S. Paulo. A alta foi de 171,1% no período, bem acima do ingresso em geral, que cresceu 43,1%. No ano passado, esses novatos maduros somaram 600 mil, frente aos 221 mil de 2012, aumentando a participação no total de alunos de 8%, há dez anos, para 15,2% agora. Por trás da expansão dos calouros quarentões ou de mais idade, está a necessidade de se recolocar no mercado, com a pandemia reduzindo a renda de muitos trabalhadores. Por outro lado, muitos jovens saíram da faculdade por falta de dinheiro, o que expôs ainda mais a presença dos maduros. Há ainda o fenômeno do Ensino a Distância (EaD), de grande apelo no auge da covid-19, mas também prático para quem não tem uma universidade próxima de casa ou em sua cidade. O preconceito das jovens tem grande simbolismo, mas não se pode esquecer que no Brasil há uma imensa dificuldade para recolocar trabalhadores com mais de 50 anos, mais experientes e no auge da maturidade, e que reclamam da falta de oportunidade. Isso não faz o menor sentido, porque é cada vez mais comum profissionais com mais de 60 ou 70 anos persistirem no mercado não só por necessidade de renda, mas por vontade de permanecer na ativa como uma realização pessoal. Muitos se reinventam e outros optam por ocupações menos estafantes do que na juventude. Porém, uma parte não tem condições de escolher onde trabalhar. Para esse público, os governos, as empresas e as instituições de ensino precisam discutir soluções práticas para resolver esse problema socioeconômico. Patrícia Linares, comerciante que fechou sua loja na pandemia, aproveitou para realizar um sonho de estudar na área da Saúde e ingressar em uma nova carreira. Aborreceu-se com o vídeo, mas não pretende desistir. No Brasil, as dificuldades para estudar estão disseminadas por todas as faixas etárias, mas é inadmissível que preconceitos sejam mais uma barreira para impedir que muitos estudantes atinjam seus objetivos.