[[legacy_image_137759]] A decisão do prefeito Rogério Santos (PSDB) de manter o acesso gratuito ao Museu Pelé é uma medida bem-vinda não só para estimular a visitação ao espaço, mas também como forma de desenvolver o Valongo e o próprio Centro Histórico. A gratuidade já estava em vigor desde outubro, atraindo 22 mil visitantes de lá até agora. Como se trata de período de férias, espera-se que o movimento aumente. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Porém, é preciso que a Prefeitura de Santos deslanche uma campanha de divulgação para convencer os santistas e os turistas para se deslocarem até o Valongo. Ainda que o acervo do Rei Pelé seja condição mais do que suficiente para justificar uma visita ao espaço, este é um museu ainda em consolidação no cenário turístico nacional. Inaugurado em junho de 2014, durante a Copa do Mundo no Brasil, o Museu Pelé ainda é novo em relação aos outros estabelecimentos do tipo no País que já têm frequentadores assíduos, são reconhecidos por companhias turísticas ou já contam com uma carteira de apoiadores. De acordo com a Prefeitura, o custo mensal de manutenção é de R\$ 1 milhão. Porém, o ideal é que o museu amplie seu acervo e invista em mais exposições fixas e também temporárias para atrair um público maior e, consequentemente, patrocinadores. Esta é a melhor forma para o espaço se financiar e não ficar exposto a futuras restrições de verbas, algo infelizmente muito comum na cultura brasileira. Entretanto, o grande desafio é expandir o hábito da frequência a museus. No Brasil, esses espaços são poucos estimulados até porque prédios antigos tendem a ser demolidos e acervos históricos a serem depredados ou espalhados sem uma finalidade de pesquisa. O mais curioso é que muitos brasileiros são assíduos frequentadores de museus no exterior e não valorizam os estabelecimentos de seu próprio País. No caso de Santos, uma cidade turística que luta para desenvolver essa vocação econômica além das atrações da praia, os museus têm importante potencial para desenvolver o Centro Histórico. Há alguns desafios ainda a cumprir, como conseguir restaurar o trecho do Porto no Valongo e dar utilidade a ele na área de lazer, melhorar a infraestrutura do entorno do museu e garantir mais segurança à noite, atraindo mais bares, restaurantes e casas noturnas. O desenvolvimento do Valongo também teria o efeito saudável da geração de empregos para várias carreiras, desde o pessoal técnico dos museus, lembrando que a região já conta, por exemplo, com o Museu do Café, na Rua XV, e de Arte Sacra, no Morro São Bento, até os trabalhadores dos segmentos do comércio. Portanto, a melhor forma para superar a imagem de abandono do Centro é estimular suas vocações econômicas e culturais. Para isso, não é preciso nenhum programa de grande orçamento. São necessários investimentos contínuos, muita organização, limpeza urbana, segurança, transporte público e divulgação de suas atrações.