[[legacy_image_285259]] As perspectivas de ganho da Petrobras para os próximos anos são tão acentuadas que nem assim tem sido fácil a vida de Jean Paul Prates na presidência da estatal. Conflitos entre governo e a empresa não são de agora. Basta observar a gestão anterior, com trocas de comando na briga pelo preço dos combustíveis. Porém, a companhia tem compromissos de mercado, tanto com seus acionistas, não apenas a União, como a necessidade de abastecer o mercado. Segundo reportagem do jornal O Globo do dia 28, já há uma defasagem de 20% entre os preços dos combustíveis no País e os internacionais, o que desestimula a importação pelos concorrentes privados (e a concorrência). Para o País não ficar desabastecido, a Petrobras ampliou suas compras no exterior, o que gerou temores sobre custos da petrolífera. Após a explosão do endividamento e represamento dos preços no Governo Dilma, a Petrobras passou por duro programa de reestruturação, que se baseou na gestão da dívida e no foco no pré-sal, mais lucrativo. O atual governo tem outras prioridades, como investir em energia renovável e em outros pontos da cadeia, as refinarias, o que faz sentido, pois tem a ver, respectivamente, com questão ambiental e a carência de derivados. Analistas afirmam que essa estratégia inibe a concorrência e que a estatal não tem como dar conta sozinha de toda a demanda. Com o avanço da produção no pré-sal da Bacia de Santos, são mais de 20 plataformas em operação, um potencial elevadíssimo de faturamento nos próximos anos. A empresa busca novas frentes de produção para o momento que a Bacia de Santos atingir sua maturidade e a partir daí passar a extrair menos petróleo. A principal aposta é a Margem Equatorial, que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte. São duas brigas com os ambientalistas. Se numa extremidade, entre Amapá e Pará, há a foz do Amazonas, na outra ponta está Fernando de Noronha e na costa praias valiosas para o turismo. Recentemente, a empresa ouviu não do Ibama sobre pesquisar no Amapá Prates defende a exploração na região, com um dos argumentos, conforme publicado ontem, de que a distância da base do Amapá à foz é de 560 Km (das áreas do pré-sal de Santos à costa são 300 Km em média, segundo site da Petrobras). A aposta em grande quantidade de óleo por lá é pela proximidade com a Guiana, que desde que identificou reservas gigantes, tem o Produto Interno Bruto que mais cresce no mundo (deve-se ponderar que há um efeito estatístico sobre uma economia até então bem pequena). Além disso, a empresa enfrenta o dilema de reinjetar (devolver) no poço o gás natural que sai junto com o petróleo. Porém, o governo quer que esse produto, mais limpo e abundante, seja destinado à economia. Isso exige muita infraestrutura, o que vai depender de muitos gastos da estatal. São conflitos que misturam foco e estratégia da empresa com políticas industrial e ambiental do Palácio do Planalto.