[[legacy_image_207530]] Prédio histórico, que durante décadas formou centenas de gerações de jovens, a primeira escola profissionalizante do Brasil, construída para realizar o sonho do filho bastardo do conselheiro Nébias e de uma escrava. Esse é o breve histórico de uma das escolas mais emblemáticas da região, e talvez do Brasil, a Escolástica Rosa, que até 1931 foi administrada exclusivamente com os recursos deixados pelo seu fundador, João Octávio dos Santos. A partir daquele ano, a Irmandade da Santa Casa de Santos entregou ao Estado a gestão pedagógica da escola, que seguiu sendo uma das melhores instituições de ensino do País. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O Estado permaneceu conduzindo a escola até 2018, quando devolveu todo o complexo ao seu dono original, mas em condições precárias de conservação e zeladoria. Houve muito o que fazer nos últimos quatro anos: descupinização, recuperação dos telhados com o material original, de paredes com infiltração, pisos e escadarias, além de amplo levantamento histórico do complexo, que inclui o casarão principal, a antiga casa do diretor e a capela dedicada a dom Bosco. A Santa Casa anuncia a intenção de investir, nos próximos três anos, cerca de R\$ 40 milhões no restauro e recuperação da antiga escola, que ocupa área de 17 mil metros quadrados, de frente para o mar, em um dos bairros mais nobres e valorizados de Santos. Não será tarefa fácil à irmandade, posto que empreitadas dessa envergadura consomem, em geral, mais recursos do que o inicialmente projetado. Além disso, o estrago feito por anos de pouco cuidado por parte do Estado ampliou o leque de serviços, como hidráulica, elétrica, alvenaria e recuperação dos móveis de época. Uma vez vencida a etapa de restauro, a boa notícia é que um leque de oportunidades se abre, e todas voltadas à formação educacional, foco original de seu mentor, em 1908. Há espaço e condição para que o prédio principal abrigue, por exemplo, atividades voltadas à formação de mão de obra para o Porto, área em que a demanda por profissionais qualificados em tecnologia cresce e não encontra, ainda, suporte adequado em quantidade e qualidade. Muitas empresas de médio e grande portes têm investido na capacitação de jovens para que atendam suas próprias necessidades. Algumas, inclusive, montam suas universidades corporativas com esse foco, então, por que não estabelecer parcerias coletivas e criar cursos de média e longa duração? Outro caminho possível é instalar no Escolástica os cursos oferecidos pelo Senai, tendo em vista que ainda não há perspectiva de erguer novo prédio no terreno agora desocupado da Ponta da Praia, onde durante anos o Sistema S formou turmas para as indústrias da região. Essas são algumas alternativas, mas certamente haverá outras no radar da Santa Casa. Importante, neste momento, é agilizar o restauro e esperar que o setor privado possa também colaborar com recursos durante esse processo. O Escolástica Rosa é da comunidade.