[[legacy_image_244245]] Quando o tema é conservação de patrimônios históricos, a atmosfera nem sempre é favorável. Em geral, é consenso que bens de valor arquitetônico e histórico devam ser mantidos, mas difícil e desafiador é encontrar quem disponha de recursos para cumprir a tarefa. A questão não é de Santos em particular, mas de todo município com data de nascimento antiga, seja ele no Brasil, na Europa ou na Ásia. Em Santos, a pauta é recorrente porque há uma infinidade de imóveis tombados pelo patrimônio histórico que padecem com o abandono ou falta de zeladoria. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O endereço da vez é a Hospedaria dos Imigrantes, no número 93 da Rua Silva Jardim, no Bairro Vila Nova. Construído para ser o centro de triagem e recepção de imigrantes chegados pelo Porto de Santos, nunca teve essa finalidade, visto que o fluxo imigratório já entrava em declínio quando de sua construção, em 1912. Acabou se transformando em armazém de café, depósito da cooperativa de bananicultores e pátio de contêineres. O prédio pertence ao Centro Paula Souza, vinculado ao Governo do Estado, e havia projeto para erguer ali uma escola técnica ou uma nova unidade da Fatec. Ao longo das décadas, não faltou o vaivém da concessão do imóvel a outros entes. Primeiro, ao Sindicato do Comércio Varejista, depois à Prefeitura e, por último, de volta ao Governo do Estado, que agora precisa responder ao Ministério Público que projeto de restauro e ocupação tem para o espaço. Recursos do orçamento público devem ser investidos em áreas prioritárias e com muita racionalidade. Então, para que fazer ali nova escola técnica ou faculdade de tecnologia se há, em Santos, tantos outros espaços ociosos que bem poderiam abrigar estudantes da rede pública? Só para citar alguns, a Escola Acácio de Paula Leite Sampaio, na mesma Vila Nova, permanece fechado há quase dez anos; o Parque Tecnológico, a poucas quadras dali, ainda não foi plenamente ocupado. Além disso, muitas das unidades escolares trabalham com capacidade ociosa frente à redução da demanda das últimas décadas. Recuperar a antiga hospedaria seria importante, mas quanto consumiria de recursos públicos? E para qual finalidade? Haverá demanda que justifique sua manutenção após a conclusão das obras? Quando em campanha para prefeito de Santos, em 2020, Rogério Santos acenou com a possibilidade de fazer daquele espaço um ambiente cenográfico, com aproveitamento do que ainda está em pé e recuperação de ruínas para criar um roteiro histórico. A Vila Itororó, na Capital, é bom exemplo desse modelo, utilizado costumeiramente para gravações artísticas, shows e seriados. Santos já tem em seu DNA um forte viés no universo cinematográfico, motivo pelo qual figura entre as cidades criativas da Unesco. Pensar em alternativas viáveis e menos custosas para a Hospedaria dos Imigrantes demandará tempo, sim, mas é o caminho mais curto para por fim ao que hoje é um problema não só da vizinhança, mas de toda a Cidade.