[[legacy_image_343986]] Em raro momento na Câmara, governistas e oposição aprovaram em votação simbólica (quando apenas os contrários se manifestam), na última quarta-feira, a reforma do Ensino Médio, hoje marcado pela elevada evasão e considerado um gargalo para o desenvolvimento do País. Esse projeto aprimora as mudanças feitas em 2017, no Governo Temer. Há sete anos, optou-se pela flexibilização da carga de disciplinas, em um sentido oposto ao do que educadores chamam de conteudismo e os jovens, de decoreba. A ideia foi adotar as novas tecnologias e tornar a sala de aula conectada com os tempos atuais e mais atraente à juventude. Entretanto, segundo analistas, houve falhas na implementação do modelo e o atual governo tomou uma iniciativa acertada – abriu consulta pública. Nos últimos momentos antes do tema ir a plenário, o ministro da Educação, Camilo Santana, encampou uma acalorada discussão da proposta com o relator da reforma, o deputado federal Mendonça Filho (União-PE), que conhece o assunto por ter sido o titular dessa mesma pasta na gestão de Temer. No fim das contas, os dois chegaram a um acordo sobre o ponto mais difícil, a carga horária mínima, que na verdade é a alma da reforma e tem uma parte destinada à formação básica, como Português e Matemática, e outra flexível. Esta última pode ser voltada à educação técnica ou algum aprofundamento dos estudos. O texto aprovado, que ainda depende do aval do Senado, prevê carga mínima de 2,4 mil horas. Mas em caso de curso técnico essa quantidade cai para 2,1 mil horas, sendo 300 flexíveis – portanto, 1,8 mil para a básica e 300 de disciplinas técnicas. A duração reduzida foi um pedido dos secretários de Educação, alegando que a maioria dos cursos dessa área oferece 1,2 mil horas e uma mudança tão acentuada poderia inviabilizá-los. Portanto, se ajustou a proposta à realidade das escolas do País, mas algo que poderá ser melhorado ao longo dos anos. O foco no ensino técnico é muito interessante ao País por atender a demanda das empresas por capacitação, por exemplo, nas áreas industrial e de saúde. Hoje, sem um incremento na formação profissional já na adolescência, retarda-se o ingresso do jovem no mercado de trabalho com carteira assinada e salários mais altos. Como em diversos países desenvolvidos, os cursos técnicos são inseridos no Ensino Médio, entre 50% a 70% dos alunos com aulas integradas, o Brasil sofre uma grande defasagem da qualidade da mão de obra nesse aspecto de competição internacional. Por outro lado, essa reforma coincide com o plano do governo de abrir 140 mil vagas nos institutos federais, inclusive em Santos e São Vicente, mantendo metade delas para o técnico com Ensino Médio. Portanto, uma importante carência da economia brasileira será combatida, assim como mais oportunidades serão dadas por meio da educação, significando uma grande transformação para o País.