[[legacy_image_309145]] Anunciado há pouco mais de duas semanas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou na quarta-feira seu plano de combate ao crime organizado, focando nos pontos onde a recepção e escoamento de drogas e armas se faz mais presente: portos e aeroportos. No plano traçado pelo presidente, que usou o instrumento de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para definir as estratégias e formas de combate, estão os portos de Itaguí (RJ), Rio de Janeiro e Santos, e os aeroportos de Cumbica e Galeão. As operações começam nesta segunda-feira e se estenderão até maio do próximo ano, em princípio, utilizando 3,7 mil homens das Forças Armadas. Nesse período, os agentes do Exército, Marinha e Aeronáutica terão poder de polícia para agir nesses locais, podendo revistar pessoas, efetuar prisões e fazer patrulhamento, entre outras atividades de polícia. Haverá ainda monitoramento extra nas fronteiras de Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Lançar mão do instrumento GLO não era a primeira opção do presidente Lula, que sempre se manifestou contrário à militarização de espaços, mas o quadro de violência e guerra entre quadrilhas, milicianos e polícia se intensificou nos últimos meses, especialmente no Rio de Janeiro. Para o Governo Lula, asfixiar o pilar econômico do tráfico é o melhor caminho. Não há dúvida da assertividade de incluir o Porto de Santos na geografia do plano. Segundo dados da Polícia Federal, só até maio deste ano, foram apreendidas 10,5 toneladas de cocaína nos 16 portos brasileiros, sendo 6 toneladas apenas no Porto de Santos. Esta semana, ação da Polícia Federal prendeu um homem e apreendeu R\$ 620 mil em uma nova fase da investigação que busca identificar os responsáveis pelo embarque de 565 quilos de cocaína, que foram cuidadosamente ocultados no interior de cilindros vazios que embarcariam em navio com destino à Europa. Não é de hoje que se joga sobre o Porto de Santos a pecha de ser o maior exportador de drogas e armas para o exterior, quadro que inflama negativamente o cinturão de vulnerabilidade que envolve a região, e torna parte dessas comunidades refém das facções criminosas, que arregimentam jovens cada vez mais cedo. O Porto de Santos é superlativo demais para a economia do País e não pode ficar refém de outros indicadores que não aqueles ligados a sua atividade e sua relevância: exportação de grãos, movimentação de contêineres, recepção de insumos e produtos para o mercado interno, exportador de café, soja, algodão, suco e todo leque de alimentos que vão chegar aos principais mercados mundiais. Garantidos os cuidados que operação desse porte demanda, especialmente porque os agentes terão poder de polícia, é esperado que os resultados sejam benéficos. Importante, também, que as polícias locais e estadual estejam cientes de que podem haver revides por parte do crime organizado. Experiências anteriores deixam claro que esse confronto sempre é possível.