O aumento do número de casos de coronavírus no País impõe a adoção de medidas drásticas. Não há como fugir dessa realidade, e é preciso encarar o problema com a necessária rapidez e determinação. Sem que isso signifique pânico ou histeria coletiva, a população precisa informar-se a respeito da situação e adotar providências que possam atenuar a curva de propagação do vírus no Brasil. É preciso, acima de tudo, responsabilidade. Todos os cuidados devem ser tomados, desde os mais simples, como higiene pessoal, até evitar aglomerações. Haverá grandes prejuízos econômicos e financeiros. Não apenas a Bolsa de Valores tem sofrido quedas gigantescas, como as atividades comuns serão afetadas. Turismo, entretenimento e lazer são as primeiras áreas atingidas, mas o comércio e os serviços também enfrentarão perdas significativas. Embora ninguém possa prever a evolução da pandemia no País, é provável que este seja um ano perdido, com recessão no primeiro semestre, queda nas vendas, e efeitos no ensino, do fundamental ao superior. Será preciso que a sociedade faça gigantesco esforço de adaptação, mudando hábitos e comportamentos, para evitar o pior, que é a rápida propagação da doença, que pode levar ao colapso do sistema de saúde. Tem sido exemplar a atitude do Ministério da Saúde na condução do enfrentamento da crise, bem como das autoridades estaduais e municipais. Evitando exageros, há a conscientização da população sobre as ameaças e indicadas providências que devem ser tomadas. A atitude de negar o problema, ou minimizar suas consequências, não se justifica. As manifestações que aconteceram no País no domingo, embora com público diminuto, foram impróprias e inadequadas. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), que é médico, insurgiu-se contra o movimento e apelou para seu encerramento, alertando sobre os riscos das aglomerações. Foi vaiado e repudiado pelos manifestantes, e teve que abandonar o local. Pode ser admitido o legítimo direito de promover atos públicos, mas não agora. Além disso, merece destaque que o tom das manifestações foi excessivo, com apelos ao fechamento de Poderes e intervenção militar, em clara violação dos princípios democráticos. Não se justifica ainda que o presidente Jair Bolsonaro, que retornou de viagem aos Estados Unidos há poucos dias, com parte expressiva de sua comitiva tendo testado positivo para o vírus, tenha rompido o isolamento e mantido contato com manifestantes em Brasília. Suas declarações, em entrevista no último domingo, insinuando interesses econômicos e políticos nas medidas para tentar conter a transmissão do coronavírus, criticando a ausência de público em jogos de futebol, contrariam a postura do Ministério da Saúde. A crise irá passar, mas até lá é preciso cuidado e responsabilidade máximas.