[[legacy_image_309738]] Dois eventos climáticos, a seca na Amazônia e um temporal na Capital, prejudicaram os jovens que participaram, no domingo, do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), como lembrou O Globo. Como a prova fez referências ao meio ambiente, os candidatos sentiram na pele que o Enem está devidamente conectado com os tempos atuais. O exame ainda terá uma segunda etapa, no próximo dia 12, marcando um grande passo para a educação no País. Com 3,9 milhões de inscritos, esses candidatos receberão notas para conquistar vagas em instituições de ensino. Trata-se de uma grande simplificação, pois dispensa viagens em série e exames cansativos que eram realizados separadamente há algumas décadas. Os vestibulares ainda existem, mas o Enem já está institucionalizado como o caminho para cursar uma faculdade. Neste ano, muitos prefeitos e governadores garantiram transporte gratuito, repetindo o exemplo de países onde provas similares são um acontecimento nacional, como na China, que tem ruas interditadas na região dos locais dos exames para garantir silêncio e segurança para os dias que serão fundamentais para o futuro dos jovens. Por aqui, a divulgação de fotos das provas preocupou, mas depois o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão do Ministério da Educação e que é responsável pelo Enem, disse que se tratava não de imagem vazada antecipadamente, mas de reprodução após iniciado exame. O caso será investigado pela Polícia Federal. O Enem é um grande passo para democratizar o acesso dos jovens ao Ensino Superior, pois há gratuidade para os mais pobres ou alunos do terceiro ano do Ensino Médio público. O governo estuda deixar de cobrar a taxa do exame, de R\$ 85 neste ano, apesar do presidente Lula, que aventou a ideia, não ter anunciado algum prazo. Mas ainda falta muito para democratizar de vez a distribuição das vagas nas universidades públicas, pois permanece o antigo efeito X – alunos da rede gratuita vão estudar na rede universitária privada, enquanto os estudantes de melhores condições financeiras saem do ensino particular e conquistam vagas nas universidades mais concorridas, as públicas, o que ainda não é resolvido pelas cotas. Para resolver esse problema, é preciso melhorar profundamente o ensino básico, em especial o oferecido pelas escolas das periferias ou cidades distantes dos grandes centros de melhor nível de vida. Nos últimos anos surgiram novidades e alguns feitos, como escolas públicas do Piauí ou de cidades do Ceará, mas ainda não é possível avaliar se esse processo é sustentável – se a qualidade será mantida após a troca do governo local – e se está sendo replicado em série em outras partes do País. De qualquer forma, o Enem, devido a sua exposição, na época das provas, pode ser encarado como uma oportunidade para cobrar uma educação básica de melhor qualidade.