[[legacy_image_210602]] Até os economistas mais especializados têm dificuldades em apontar o futuro do emprego, que já começou a ser altamente impactado pela tecnologia. O desafio é mundial e está centrado na substituição da força humana pela robotização e o que poderá ser feito para reocupar os vulneráveis. Entretanto, de imediato, o Brasil tem tarefas a realizar e, se houvesse um política central de longo prazo nessa área, os progressos poderiam chegar no médio prazo. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Melhora da formação escolar básica, capacitação e desoneração da folha salarial são pilares das mudanças, que têm sido confrontadas pela informalidade ou explosão dos prestadores dos aplicativos, o fenômeno da uberização. Esse filão (os apps), ao mesmo tempo que garante uma renda para o desempregado, por outro lado agrada o profissional que quer mais liberdade, como definir seu próprio horário de trabalho. Porém, os governos veem apps com desconfiança, pois são difíceis de serem tributados. Estudos feitos pelo Banco Mundial, inclusive com a participação da economista-chefe Pinelopi Koujianou Goldberg, revelam a realidade do trabalho não só neste contexto tecnológico ainda no início, mas também sob a nova ordem mundial. As economias se tornam mais fechadas, a globalização é restrita a parceiros confiáveis e as potências nacionalizam setores considerados essenciais e hoje delegados a terceiros, como os semicondutores (chips usados em automóveis e eletroeletrônicos). Segundo entrevista de Goldberg ao jornal Valor, em sua pesquisa, centrada na informalidade, economias mais liberais (abertas ao mundo) aumentam a produtividade, principalmente na indústria e nos segmentos exportadores. Entretanto, esses países ficam sujeitos a momentos de desemprego, pois a exportação é volátil. Por exemplo, se nos anos 2000, o Governo Lula e, mais recentemente, com a pandemia e a guerra da Ucrânia, as commodities se valorizaram, daqui para frente a tendência é de queda devido à recessão dos ricos, com as cotações dos minerais e agrícolas em recuo. Nessa fase negativa, as demissões ou baixa contratação podem induzir uma alta da informalidade. Apesar do contexto tecnológico, comercial e geopolítico em transformação, a globalização não acaba – se adapta. Na briga das restrições comerciais entre EUA e China, a economista-chefe diz que houve uma surpresa, de que o comércio aumentou no restante o mundo, mesmo sem envolver as duas grandes potências. Já o Brasil não aproveitou essa oportunidade porque ainda está muito fechado e tem pouca participação em blocos comerciais regionais. O que se vê é um Brasil travado nas direções que precisa para ficar mais competitivo e crescer. Faltam melhorias no custo do emprego e investimentos na formação do trabalhador e o País segue estratégias ultrapassadas para conquistar parceiros comerciais, isso sem considerar as muitas mudanças desafiadoras que estão por vir.