[[legacy_image_4748]] Os dados de fevereiro do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) surpreenderam. Houve a criação de 173,1 mil vagas com carteira assinada no país, representando o melhor desempenho para o mês desde 2014, superando as estimativas de 19 consultorias e instituições financeiras, que previam, em média, a abertura de 89,8 mil postos de trabalho. O setor de serviços respondeu pela maior parte do resultado positivo, com 112,4 mil novos empregos formais em fevereiro, com destaque para o ensino, com 47,7 mil vagas. Todos os setores tiveram crescimento, exceto a agropecuária, e destaque-se o avanço na indústria de transformação (mais 33,5 mil postos), seguida pela administração pública (11,4 mil) e construção civil (11,1 mil). O Sudeste, região economicamente mais dinâmica do país, respondeu por quase 60% dos empregos formais criados (101,6 mil), sendo que o Nordeste teve variação negativa (-12,4 mil). O secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, afirmou que os números sinalizam "retomada de investimentos de médio e longo prazo", confiando que a retomada no mercado de trabalho continuará nos próximos meses. Esse é o ponto que suscitou mais dúvidas. Especialistas consideram que é preciso cuidado, sendo necessário aguardar e observar o desempenho de alguns meses para confirmar a forte recuperação. São levantadas algumas explicações sobre o surpreendente resultado de fevereiro: o destravamento de atividades que estavam amarradas pela dinâmica das eleições; o fraco desempenho de janeiro, que pode ter sido parcialmente compensado; e a maior confiança no governo e nas reformas que houve no início do ano. Ressalte-se que a complicação do ambiente político quanto à reforma da Previdência é fenômeno recente, que não existia nos dois primeiros meses do ano. A continuidade e o eventual aprofundamento das dificuldades pode comprometer a recuperação iniciada agora, e destaque se ainda que alguns efeitos econômicos, como a baixa de juros ocorrida no ano passado, não devem se repetir nos próximos meses. A melhoria do emprego é muito positiva. Mas não deve ser superestimada: há ainda longo caminho a percorrer. As avaliações do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV) são que o desemprego deve ter queda pouco significativa neste ano e já há sinais de reversão na retomada das contratações. A estimativa é que a taxa média de desocupação medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, encerre 2019 em 12,1%, apenas 0,2 ponto abaixo do verificado em 2018. O trabalho formal deve avançar 740 mil vagas neste ano, acima do ano passado (525 mil), mas ainda muito abaixo do que seria esperado para caracterizar efetiva melhoria do quadro de empregos no Brasil.