[[legacy_image_204949]] A menos de um mês para o primeiro turno das eleições, a agenda política já invade o cotidiano do País em todos os ambientes, em todas as mídias, de forma intensa e variada. Quer pela propaganda nos veículos de comunicação, quer pelos atos e iniciativas públicas por parte dos candidatos e partidos, a eleição tomou conta da agenda. É salutar que assim seja, porque escolher seus representantes é o acontecimento mais importante da vida de qualquer país. O que preocupa, isto sim, é o nível de compreensão que boa parte dos eleitores tem sobre o papel de cada um dos cargos que estarão em disputa, as competências de cada esfera e o que é pertinente ou ‘conversa fiada’. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Ouvir atentamente a propaganda eleitoral dos candidatos aos legislativos, em especial, é passear por uma estrada fantasiosa e, muitas vezes, inverossímil, mas que ‘cola’ nos ouvidos e na tomada de decisão de milhares de eleitores. Quem busca um cargo no legislativo estadual, por exemplo, não pode colocar entre suas promessas zerar o déficit habitacional, assim como também não pode prometer aumento para professores e policiais. Essas não são tarefas que competem às assembleias mas, sim, aos executivos, depois de checadas as fontes de receita para tal. Ocorre que esse tipo de discurso funciona para uma grande parcela da população, e ajuda a definir o voto de quem tem pouca ou nenhuma educação política, consciência sobre os limites e as alçadas das diferentes esferas de poder. Boa parte das falas e clichês que compõem a propaganda política dos candidatos, especialmente legislativos, não resiste a uma peneira retórica de trama larga, tampouco a uma análise criteriosa sobre como pretendem alcançar maioria dentro das casas para aprovar propostas esdrúxulas e controversas. Um dos candidatos à assembleia paulista promete, por exemplo, ambientes distintos no serviço público para servidores e servidoras como forma de evitar o assédio sexual, em especial envolvendo chefes e subordinadas. Em que país vive esse candidato? A legislação eleitoral prevê que o voto é facultativo a partir dos 16 anos, e obrigatório dos 18 aos 70. No entanto, a educação política precisa estar presente já nos primeiros anos do ensino fundamental, e não para arregimentar para este ou aquele partido, para esta ou aquela ideologia. Educação política deve ser entendida como compreensão sistêmica da sociedade, diferenças entre os poderes, limites de quem detém cargo público, canais de participação e acompanhamento. Entender como as relações acontecem e por que certas configurações ocorrem é a forma mais didática de falar sobre política e cidadania. A ojeriza que muitos têm pelo ato de votar ou mesmo por acompanhar o noticiário político é consequência de falta de informação ou informação equivocada sobre o processo e suas relações. Formar cidadãos para a política não é formar políticos ou candidatos, mas pessoas que decidem com consciência sobre o que querem e esperam das urnas.