Pela primeira vez, a oferta de vagas nos cursos de graduação a distância (EaD) superou a dos cursos presenciais no Brasil. Segundo dados do Censo da Educação Superior, em 2018 foram oferecidas 7,2 milhões de vagas em EaD, contra 6,4 milhões nos cursos tradicionais, em que os alunos frequentam as aulas nas instituições. O avanço da modalidade tem sido enorme e rápido: entre 2017 e 2018, o número de cursos EaD aumentou 50,7%, passando de 2.108 para 3.177 em todo o país. O avanço é resultado da mudança das regras de criação de polos de EaD, ocorrida no final de 2017. Antes dessa data, era necessária visita do Ministério da Educação às unidades educacionais para aprovação dos cursos; agora basta que elas cumpram determinados parâmetros de qualidade, com maior autonomia das instituições para a abertura dos polos. Nota-se, ainda, que o crescimento do EaD ocorre basicamente no ensino privado. Dos 6,37 milhões de alunos matriculados na rede privada, que corresponde a 75,4% do total, 30% deles estudam a distância. Chama a atenção também a alta concentração: das 2.537 instituições existentes, apenas 14% oferecem cursos EaD, sendo que apenas 6% destas são responsáveis por 80% das matrículas na modalidade. Apenas cinco universidades particulares, que são grandes empresas, detinham, em 2018, 52,3% das matrículas. As matrículas em 2018, que compreendem alunos novos que ingressaram e aqueles que já estavam no sistema, cresceram em 164 mil quando comparado com o ano anterior, mas esse aumento foi resultado do avanço dos cursos EaD, que tiveram acréscimo de 299,5 mil, enquanto os cursos presenciais recuaram 135,4 mil. É preciso atenção quanto ao ensino a distância. Ele se desenvolve muito mais na perspectiva de redução de custos, tanto para as instituições de ensino quanto para os alunos, beneficiados por mensalidades mais baratas. Mas há o problema da qualidade, em geral inferior no EaD, além da maior evasão na modalidade. Não deve haver preconceitos ou rejeição prévia ao ensino a distância. Com os avanços tecnológicos, ele crescerá naturalmente, ampliando oportunidades para milhares de pessoas, principalmente os mais velhos, que não puderam ter acesso às universidades quando jovens, e aqueles que residem em locais distantes dos grandes centros. Mas é preciso cautela e controle nesse processo: melhor seria introduzir o EaD nos cursos presenciais, de maneira gradual e contínua, para melhorar sua diversidade e aumentar a motivação dos estudantes. EaD veio para ficar, mas é necessário cuidado com seu crescimento. Não pode ser visto como forma mágica de ensinar ou, pior, como mecanismo que propicia grandes lucros a determinados grupos, sem contribuir para resolver o grande drama da baixa qualidade educacional no Brasil.