[[legacy_image_222591]] A superação da marca de 8 bilhões de habitantes no planeta, no último domingo, indica o tamanho do desafio da humanidade para garantir alimento, emprego, educação e saúde nas próximas décadas. Paralelamente, há a obrigação de equilibrar essas necessidades, que hoje têm como resultado a emissão de combustíveis fósseis e destruição das florestas, com a sustentabilidade ambiental. Parte da tarefa foi feita com a redução da taxa de natalidade e progressos tecnológicos, que melhoraram a expectativa de vida, com o grande problema de que isso está concentrado nos países ricos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Se no Brasil, cuja expansão da população desacelerou – sendo ultrapassado nos últimos anos em total de moradores pelo Paquistão e provavelmente a Nigéria –, a pobreza ainda é uma tragédia. O quadro da África Subsaariana, onde a natalidade é elevada e as famílias ainda são numerosas, é de extrema gravidade. Por exemplo, em Kinshasa, com 12 milhões de habitantes, no Congo, o ensino fundamental é gratuito, mas quem quer manter todos os filhos adolescentes estudando precisa pagar para isso. Em Lagos, a megacidade da Nigéria, as crianças saem de casa às 5h da madrugada para chegar a tempo a suas escolas devido à falta de transporte rápido para 15 milhões de moradores. No extremo oposto, alguns países já enfrentam a estagnação e até a queda populacional, sem saber como adaptam suas economias capitalistas, que valorizam uma contínua expansão do consumo, ao envelhecimento e ao custo da saúde frente à longevidade. Em 1980, enquanto o Brasil tinha 120 milhões de habitantes, no Japão eram 116 milhões. Agora são 215 milhões no Brasil e 126 milhões no país asiático. A previsão drástica do governo japonês é de que esse total cairá para 53 milhões no fim do século. Segundo reportagem da BBC, uma das soluções propostas, além de subsídios públicos para que se tenha filhos, é adaptar robôs para o trabalho doméstico e aumentar o apoio de todo tipo às mães. Entretanto, países nem tão ricos enfrentam o desafio do envelhecimento e da baixa natalidade, como Portugal, Itália, Rússia e até o Uruguai. No caso do Brasil, a concentração de renda envolve diferentes perfis econômicos e sociais opostos, dos mais miseráveis ao de altíssima renda. A expectativa é que dos atuais 215 milhões de habitantes agora o País salte para 230 milhões em 2050, enquanto a Nigéria, que hoje está “empatada” com o Brasil, deverá atingir 375 milhões daqui a 28 anos. O problema é que, no Brasil, o gigantismo dos bolsões de miséria das grandes e médias cidades e regiões de baixo desenvolvimento praticamente anulam as vantagens que o País teria por aumentar sua população mais lentamente. Porém, ainda há tempo para desafiantes correções serem feitas, dando oportunidades a todos, sem esquecer a sustentabilidade ambiental, condição para a sobrevivência nas próximas décadas.