Frustraram-se as expectativas que o ano de 2019 marcaria a recuperação econômica no Brasil. Houve grande otimismo que se seguiu à eleição do presidente Jair Bolsonaro, com a esperança que as reformas estruturais seriam implantadas, e previsão que a reforma da Previdência seria aprovada ainda no primeiro semestre. A realidade tem se mostrado bem diferente, com grandes dificuldades políticas que o governo vem enfrentando como Congresso Nacional, e já é consenso que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano será inferior a 1,5%. Enquanto isso o Brasil real mostra a sua face mais dramática. O desemprego segue muito alto, e milhões de pessoas buscam sobreviver, com trabalhos precários e instáveis, e muitos sequer buscam novas colocações no mercado, desalentados sobre a possibilidade de conseguir alguma vaga ou colocação. Os efeitos da recessão de 2014-2016 não foram superados. Passados cinco anos do início da deterioração da economia brasileira, nenhum setor produtivo voltou ao patamar pré-crise. Trata-se de uma década perdida, de forte regressão. Considerando o período entre março de 2014 e março de 2019, constata-se que a produção industrial recuou 16,7%, o varejo 5,8%, os serviços 11,7% e a construção civil registra o maior tombo, de 26,5%. A consequência imediata é o desemprego: ele atingiu 13,4 milhões de trabalhadores no primeiro trimestre de 2019, elevação de 91% em relação ao mesmo período de 2014. O PIB nacional teve perda de 4,9% e, quando se considera o PIB per capita, que leva em conta a relação com o total da população brasileira, aqueda é ainda maior: 8,8%. Os economistas têm dificuldades para explicar o que ocorre no País. Este não foi o primeiro período recessivo vivido, embora tenha sido o mais intenso, mas o que chama a atenção é a lentidão do processo de retomada, diferentemente do que aconteceu em outros momentos. E as perspectivas não são animadoras: se o PIB crescer ao ritmo de 2% nos próximos anos, o PIB per capita só atingirá o nível anterior à recessão em 2026, 13 anos após seu início. Há problemas na indústria, uma vez que a crise provocou forte ociosidade na produção, tornando os investimentos desnecessários no curto prazo. A confiança dos consumidores, que havia crescido, voltou a retroceder, ameaçando o varejo e influenciando o crescimento dos serviços. E a construção civil, o setor mais atingido pela recessão, demorará ainda mais para recuperar se. As contratações de obras públicas estão em nível baixíssimo, dada a crise fiscal da União, Estados e Municípios, e o mercado imobiliário não tem conseguido reagir de modo consistente. Pesam, neste quadro, as instabilidades políticas. Sem resolvê-las e superá-las, a recuperação seguirá em ritmo cambaleante, ameaçada cada vez mais por retrocessos.