[[legacy_image_242035]] Pela segunda vez em menos de um mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu com os 27 governadores no Palácio do Planalto. O encontro ocorreu ontem, e teve como desfecho principal a redação de uma carta em defesa da democracia como valor inegociável, pauta que se tornou presente desde a primeira agenda entre as duas esferas, após os atos golpistas realizados dia 8 deste mês. “A democracia é um valor inegociável. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Somente por meio do diálogo que ela favorece poderemos priorizar um crescimento econômico com redução das nossas desigualdades e das mazelas sociais que hoje impõem sofrimento e desesperança para uma parcela significativa da população brasileira”, diz um trecho da carta. A iniciativa é positiva e bem-vinda, e a coesão entre Brasília e os 27 estados da federação mostra uma sintonia de propósitos e valores que ajudam a espantar as sombras que ainda pairam sobre eventual golpe de estado, suspeita que sustentou fortemente os atos golpistas. Ainda que a lua-de-mel entre Lula e os governadores possa eventualmente se enfraquecer ao longo do tempo, importante que os executivos estaduais aproveitem esse bom momento para apresentar suas demandas regionais. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) anunciou que levaria ao encontro, entre outras, demandas relacionadas à mobilidade urbana no Estado. Em relação à Baixada Santista, a necessidade de construção de uma ligação seca entre Santos e Guarujá. Importante que ao menos uma obra relevante para a região tenha composto a pauta de pedidos do governador ao presidente Lula. A ligação seca deve ser prioridade independentemente de continuidade ou não do processo de desestatização da autoridade portuária, e parece que esse é um consenso entre todos. No campo da mobilidade urbana, porém, há outras frentes de grande relevância para a Baixada Santista, uma região com quase 2 milhões de habitantes e cuja frota de veículos cresceu 195% nas últimas duas décadas. No final do ano passado, a Agência Metropolitana da região (Agem) entregou ao conselho dos nove prefeitos o Plano Regional de Mobilidade Sustentável e Logística, prevendo não só a interligação de modais, como também a realização de obras e melhorias para mitigar o impacto do crescimento da frota e favorecer o ir e vir de uma região que não cresce em malha urbana na mesma proporção. Enquanto ministro da gestão passada, Tarcísio de Freitas manejou bem as demandas por infraestrutura no País, desengavetando obras que há anos estavam paradas. Importante, agora, se apropriar dos detalhes previstos no plano regional, que consumiu recursos e tempo, para talvez incluí-los na pauta de mobilidade a ser debatida na esfera federal. A ligação seca é importante e necessária, mas há outras frentes - até menos custosas - que também podem ser abraçadas a partir de agora.