[[legacy_image_261383]] Às voltas com uma crise diplomática envolvendo declarações controversas sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia, o Governo Lula é obrigado a enfrentar um grande desgaste na área econômica por causa da decisão do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de acabar com a isenção de impostos para encomendas internacionais de até US\$ 50 por pessoas físicas. A medida, que afetaria principalmente compras em lojas de origem asiática na internet, teve forte repercussão nas redes sociais, com usuários alegando prejuízo para a parcela mais pobre da população. Diante da reação negativa, Haddad, a pedido de Lula, recuou na terça-feira e decidiu manter a isenção. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Recuos de governos não são novidade, mas se tornaram mais frequentes nos últimos anos, quando as redes sociais passaram a ecoar de maneira instantânea – e por vezes equivocada – a opinião pública. Porém, no caso específico das encomendas internacionais até US\$ 50 por pessoas físicas, o roteiro encenado pelos protagonistas exagerou nos desencontros. Tudo começou com a Receita Federal anunciando que a isenção de impostos acabaria e que a medida também teria o intuito de combater o contrabando – o governo suspeita que empresas asiáticas fracionem os envios em vários pacotes que chegam ao Brasil, como se fossem enviados por pessoas físicas. Em seguida, a primeira-dama Janja comentou que a novidade afetaria somente as empresas e que o consumidor não seria prejudicado. Daí para frente, o debate se estabeleceu alicerçado em versões divergentes e contaminadas, até o desfecho turbulento. No fim, o governo perdeu duas vezes, ao não conseguir elevar sua arrecadação em aproximadamente US\$ 8 bilhões, como estimado inicialmente, e ao se submeter a um desgaste evitável de sua imagem. O reflexo não demorou a surgir. A avaliação positiva do governo Lula caiu no mês de abril, segundo pesquisa de responsabilidade da Genial/Quaest. De acordo com o levantamento, 36% da população está satisfeita com o trabalho do petista, quatro pontos porcentuais a menos que o patamar de fevereiro. Os que desaprovam a gestão cresceram: agora são 29%, ante 20% há dois meses. A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 16, período que abarcou os efeitos do impasse tributário. O levantamento perguntou qual a notícia negativa sobre o Governo Lula mais lembrada pela população. A taxação de compras em lojas como Shein e Shopee ficou no topo da lista, com 16% das menções. O episódio confirma como é difícil governar e, exatamente por isso, o quanto é necessário procurar amarrar todas as pontas soltas antes de se tomar uma decisão. A confusão fez a equipe econômica e os demais governistas perderem credibilidade, o que dificulta futuras mobilizações. E perder o capital político é tudo o que uma gestão que tem a missão de tirar o País de uma profunda crise econômica e social não precisa.