[[legacy_image_330833]] Reincidente desde o fim dos anos 1990 na Baixada Santista e agora presente praticamente no País todo e até em regiões de clima ameno no Hemisfério Norte, a dengue continua perigosa. Especialmente pela facilidade de seu vetor, o mosquito Aedes aegypti, se adaptar às mudanças ambientais e socioeconômicas e pelo risco crescente à saúde. Por isso, os governos precisam investir mais em políticas de combate ao inseto e de conscientização dos brasileiros. Afinal, o contínuo retorno da infecção estimula a percepção de que pouco se pode fazer contra ela ou que ela se tornou branda. Muito pelo contrário, assim como a dengue continua matando – quatro paulistas morreram apenas neste começo de ano – o Aedes aegypti também transmite chikugunya e zika, cujos efeitos nocivos à saúde ainda estão sendo pesquisados e o que se sabe é que são altamente perigosas e impactantes por seus efeitos. Algo deve ser para feito que as duas não adquiram a dimensão que a dengue atingiu em território nacional, que mais uma vez registra uma disparada do número de casos, provavelmente estimulados pelo clima quente e chuvas constantes, o que facilita a proliferação do inseto. Felizmente, há agora o advento das vacinas contra a dengue, algumas experimentais, e uma delas, a Qdenga, do laboratório japonês Takeda, disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) dentro de poucos dias. Por enquanto, ela ainda é muito cara, custando algumas centenas de reais nos estabelecimentos privados, e com a empresa sem condições de ampliar sua produção para abastecer todos os brasileiros neste verão. Apenas a faixa etária dos 10 aos 14 anos será imunizada pelo SUS, escolhida por ser a de maior índice de hospitalização. Nenhuma cidade da Baixada Santista foi selecionada entre os 521 municípios que serão os primeiros a contarem com a imunização. Devido a seus portos, Santos e Rio de Janeiro historicamente registraram primeiro a presença do inseto e depois o vírus e, por isso, tendem a contar com uma proporção de habitantes imunes aos sorotipos da dengue. Entretanto, podem ocorrer manifestações mais graves de seus sintomas, um perigo constante para a região. Não restam saídas, a não ser manter o combate ao inseto e, para isso, as prefeituras e os governos estaduais e o Federal precisam trabalhar coordenadamente, aproveitando as pesquisas inovadoras das universidades. Por outro lado, o Ministério da Saúde tem de se esforçar em uma negociação com o laboratório japonês para que a Fiocruz possa produzir a Qdenga em larga escala, pois a demanda do País, por serem necessárias duas doses, exigiria algumas centenas de milhões de unidades do imunizante para proteger o Brasil. Além da fabricação insuficiente, o preço praticado hoje é incompatível com as contas públicas. De qualquer forma, apesar dos altos riscos, há expectativa de, no médio prazo, a doença sofrer um relevante revés.