[[legacy_image_254546]] Importante pesquisa de campo desenvolveu o Instituto Semesp, ligado à entidade que responde pelas instituições privadas de ensino superior do País, junto a 1.970 jovens que já completaram o Ensino Médio, mas não estão matriculados em nenhuma universidade. A maior parte da amostra (65,2%) tem até 24 anos, e representa todas as regiões do País. Os dados coletados pela pesquisa “O que leva o aluno a ingressar no Ensino Superior?” têm como objetivo auxiliar as instituições a melhorar seus planos pedagógicos e a experiência de relacionamento com os seus estudantes. Outros quatro levantamentos serão divulgados até o final do ano, completando uma radiografia sobre cenários atuais e o futuro do Ensino Superior no Brasil. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Algumas constatações dessa primeira pesquisa chamam a atenção. Do total de respondentes, 80,2% disseram ter intenção de ingressar em um curso superior ainda este ano, porém, apenas 27,4% declararam que podem pagar integralmente a mensalidade nas particulares. Em outras palavras, mais de 72% dos jovens dependem de alguma forma de financiamento ou bolsa para realizar seu sonho, quer pelos meios oficiais (ProUni, Fies), pelo sistema bancário ou com auxílio das próprias universidades. Considerando que, hoje, 80% da oferta de vagas no Ensino Superior vem do setor privado, conclui-se que o crescimento desse contingente só se dará se também for maior o esforço financeiro - público ou privado - para bancar seus estudos. Vale destacar que, segundo o Censo da Educação Superior, atualmente apenas 17,7% dos jovens até 24 anos estão matriculados no terceiro grau, índice bem abaixo do preconizado em 2014, quando o Governo lançou seu Plano Nacional de Educação (PNE) com foco em chegar a 2024 com 33% dessa parcela da população dentro de uma universidade. Só há duas formas de cumprir essa meta: ampliar a oferta de vagas nas públicas e flexibilizar seu acesso - o que parece pouco provável e nada razoável - ou estimular o ingresso na privadas com valores subsidiados, tarefa igualmente difícil, em especial depois da pandemia. Outro dado relevante da pesquisa Semesp diz respeito às carreiras mais citadas pelos jovens quando forem prestar o vestibular. Figuram no topo do ranking as mesmas áreas de décadas atrás (Administração, Direito, Psicologia, Medicina), setores saturados no mercado de trabalho. As profissões ligadas à tecnologia estão da metade para o fim da lista de prioridades, embora representem demandas urgentes no universo corporativo. Falta de informação adequada no Ensino Médio e pouca relação das próprias universidades com esse público pré-vestibular podem explicar esse cenário. O Semesp acerta em radiografar esse público e entender suas razões, mas um plano de ação só fará sentido se estiver em permanente diálogo com a sociedade e com o setor produtivo, e disposto a rever as rotas com mais frequência do que tem sido até aqui.