[[legacy_image_168399]] Fatos isolados acabam ganhando relevância quando analisados conjuntamente. Nos últimos meses, a imprensa local tem acompanhado de perto o surgimento de verdadeiras crateras nas vias urbanas e também nas calçadas. Os dois episódios mais recentes são na Rua Goiás, no Gonzaga, e na Avenida Ana Costa, uma das mais movimentadas de Santos. Na Rua Goiás, inclusive, um caminhão afundou em plena luz do dia, e foi sugado pela cratera. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Um olhar mais atento identificará que há vários buracos pelas ruas de Santos que não são decorrentes do tempo de uso do solo, mas do visível solapamento do que vai por baixo da cobertura asfáltica. O ponto em comum entre quase todos eles é o fato do piso não ter aspecto assim tão envelhecido. Para avisar a população e, principalmente, os motoristas, é cena comum ver moradores sinalizando esses riscos com galhos de árvore, pedaços de madeira e cones subtraídos de obras particulares. Em outras situações, a própria CET cuida de instalar cavaletes sinalizadores, à espera do conserto que nem sempre tem a celeridade que se espera. Para a cratera da Rua Goiás, cujo trecho final permanece interditado há mais de dez dias, a explicação da concessionária de água e saneamento, a Sabesp, chama a atenção. A justificativa é que as tubulações são antigas, subdimensionadas para a demanda atual e, com o passar dos anos e o impacto do trânsito, o buraco se formou. É certo que não há possibilidade de troca de tubulações em toda a Cidade, ao mesmo tempo, conforme os empreendimentos vão ganhando altura, mas é preciso admitir que, nas últimas décadas, o perfil das cidades e dos imóveis mudou sem que se tenha observado substituição paulatina das redes de drenagem e de coleta de esgotos. A questão não é exclusiva de Santos e região. No mês passado, a Prefeitura de São Paulo divulgou levantamento em que contabiliza mais de 48 mil irregularidades em obras feitas no asfalto das ruas da Capital desde 2018. Apenas em 2022, a Sabesp já recebeu mais de 617 multas decorrentes de situações assim. Nesse total, estão os casos em que o serviço de tapa buraco foi mal feito, e aqueles em que crateras surgiram em pontos de obras. Como em vários outros segmentos, a concessionária terceiriza parte dessas empreitadas, porém, é preciso rédea curta e fiscalização rigorosa por parte da estatal. Além disso, um serviço preventivo e de troca constante de dutos deveria ganhar relevância nos planos de investimentos com os municípios. A Sabesp já formatou os contratos de concessão de serviços de água, coleta e tratamento de esgoto com todos as cidades da região, prevendo obras como estações de tratamento de esgoto, ampliação de coleta e reservatórios de água. É preciso que os executivos municipais revisitem seus planos de investimento, e se certifiquem que os itens relativos a trocas de tubulações também estejam devidamente em compasso com o crescimento e a verticalização dos imóveis.