[[legacy_image_326539]] O crime organizado avança a passos largos na América do Sul. Nos últimos dias, dois episódios, um no Brasil, outro no exterior, comprovam que as autoridades estão perdendo a batalha no campo da segurança pública. No mais grave deles, grupos criminosos lançaram ataques em cidades do Equador depois de o presidente Daniel Noboa ter decretado estado de exceção no país para combater o narcotráfico. A iniciativa, que ocorreu em paralelo à invasão de um canal de TV ao vivo em Guayaquil, a maior cidade do país, provocou a queima de carros e ônibus, sequestros de policiais e vandalismo. O mais recente balanço registra 1.105 pessoas presas, 94 delas por terrorismo, e cinco criminosos classificados como terroristas mortos – não foi detalhado se essas mortes fazem parte das 14 mortes registradas em Guayaquil. Além disso, 28 grupos criminosos foram desmantelados. O Equador vive há anos um aumento da violência relacionada ao narcotráfico. No ano passado, criminosos mataram a tiros o candidato presidencial Fernando Villavicencio após um comício. Além disso, Adolfo Macías, conhecido como Fito e líder dos Choneros, a maior gangue do país, fugiu de uma prisão e continua foragido. No Rio de Janeiro, em uma atitude desesperada, o prefeito Eduardo Paes fez uso das redes sociais para relatar que bandidos cobraram uma taxa para liberar as obras do Parque Piedade, que está sendo construído na Zona Norte do Rio. Segundo Paes, a cobrança foi feita diretamente à empreiteira responsável pela construção. Conforme o político, os bandidos ameaçaram impedir as obras caso o pagamento de R\$ 500 mil não fosse realizado. Eduardo Paes é prefeito do Rio, a segunda cidade mais populosa do Brasil, mas agiu como se fosse um leitor que encaminha queixas sobre seu bairro ao jornal à espera de atenção por parte das autoridades e solução dos problemas. Sinal mais claro de que a situação saiu do controle não há. No caso de Paes, a postagem cita a Polícia Federal e o secretário-executivo do gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, Ricardo Cappelli, que respondeu dizendo que já foi procurado por outros prefeitos do estado relatando episódios semelhantes. Paralelamente, o pedido de socorro de Paes ignora a Polícia Civil e o Governo do Estado, como se eles não fossem dignos de confiança. No Brasil, o crime começou a se organizar em escala industrial no final da década de 1970, quando presos comuns e políticos se misturaram nas prisões. De lá para cá, a criminalidade se estruturou a ponto de romper barreiras impensáveis, em muitos casos ocupando vagas em câmaras municipais e assembleias legislativas. Ao mesmo tempo, as forças de segurança não foram capazes de acompanhar o inimigo, e o que se vê é assustador. Por tudo isso, as autoridades devem colocar o tema como prioridade máxima, e não mais falar da boca para fora.