Ciente de que é preciso agir na crise sanitária e também visando ao pós-pandemia, o prefeito Rogério Santos editou um decreto na sequência daquele que fixa as regras para o lockdown a partir de hoje em Santos: o documento institui o chamado “Comitê de Apoio Técnico para Enfrentamento da Covid-19 e Retomada Econômica”. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Conforme o texto, o comitê, formado por 15 membros a serem nomeados mediante portarias do Executivo, tem “caráter consultivo e propositivo” e “objetivo de auxiliar, apoiar e colaborar na formulação, planejamento, implantação, controle, fiscalização e avaliação das políticas públicas municipais de enfrentamento à pandemia”. Será um grupo abrangente, com a reunião de membros da Prefeitura (das secretarias de Saúde, de Governo, de Planejamento e Inovação, da Procuradoria-Geral do Município), do setor de saúde (Associação Paulista de Medicina e de hospitais públicos, privados e filantrópicos) e de segmentos econômicos (Associação Comercial, Sindicato do Comércio Varejista, Sindicato de Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares, câmaras de Dirigentes Lojistas e sindicatos de trabalhadores em comércio e serviços). Passado um ano de impregnação do coronavírus no cotidiano, eis, afinal, a consciência de que os poderes público e privado devem estar unidos na redução das sequelas econômicas e sociais deixadas pela pandemia. Órgãos governamentais e do empresariado projetam períodos difíceis para este ano, enquanto a vacinação não avançar e continuarem necessárias medidas duras de isolamento, como na Baixada Santista. Também ontem, mesmo dia do início da publicação dos decretos sobre o comitê e o lockdown santistas, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou um informe cujo “cenário básico” consiste no começo da recuperação econômica em maio, com retomada no mercado de trabalho apenas no próximo semestre e desemprego terminando o ano ainda mais alto que no anterior: 14,6% ante 13,5%. “Espera-se que, à medida que a vacinação progrida e alcance a maioria da população de maior risco de internação, caia a pressão sobre o sistema de saúde e se permita novamente uma abertura gradual da economia”, escreve a CNI em sua análise. Como que num despertar coletivo de setores produtivos e econômicos, destaca-se, ainda, uma longa carta endereçada aos três poderes por centenas de economistas, com ex-presidentes do Banco Central entre eles. Seu tom é de cobrança e pede, além de vacinas, que “as políticas públicas sejam alicerçadas em dados, informações confiáveis e evidência científica”. Transpondo as preocupações nacionais à realidade local, a Baixada, por seu perfil econômico, tende a sofrer consequências piores. Assim, grupos como o criado em Santos poderiam surgir nas outras oito cidades. Haveria base mais firme para decisões e ações coordenadas e ágeis em nível metropolitano.