[[legacy_image_159997]] Além da atual preocupação pelo duplo estresse dos impactos da pandemia e da invasão da Ucrânia na economia, há uma sinalização de um próximo ano temerário para as contas públicas. O risco é de que o próximo presidente ou o atual, se reeleito, tenha que imprimir uma brutal arrumação de casa, com muitos cortes pelo menos até 2024 em meio a juros básicos de dois dígitos. Por outro lado, existe um viés otimista de virada de chave, com os efeitos da covid-19 para trás e um planejamento do setor privado para retomar a demanda perdida, aproveitando os novos tempos do uso intensivo da tecnologia nos negócios. Porém, trata-se de uma aposta, porque não há como dissociar os próximos passos dos que estão sendo agora no âmbito governamental. Por isso, é preciso muito comedimento pelo governo em relação às concessões previstas para agradar redutos eleitorais. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Os dois pontos a observar são carga tributária e gastos públicos, que estão interligados. Para sustentar mais despesas, é preciso aumentar os impostos. Se isso não é possível, basta comprimir o Orçamento e tomar empréstimos da sociedade. Entretanto, a população e as empresas precisam questionar esses movimentos do setor público – gastar mais e cobrar tributos – até para não haver uma asfixia. Juros elevados desestimulam o investimento na economia, o consumo e a compra da casa própria. Portanto, esse contexto de crise fiscal deve ser temporário – se é prolongado, estagnação e empobrecimento se tornam inevitáveis. A redução de impostos é um grande sonho dos brasileiros. As desonerações recentes, como a do IPI, dos impostos federais sobre combustíveis e das tarifas sobre eletrônicos importados, são bem-vindas, mas precisam ser sustentáveis. Não se sabe se no próximo mandato haverá recursos suficientes para manter a máquina estatal, incluindo toda uma cascata de privilégios e desperdícios. Há ainda um parcelamento de precatórios que o governo vai pagar em simultâneo com os novos compromissos dessa conta. Na outra ponta, a da austeridade e dos cortes para fazer frente a tantas despesas, pouco se vê. Foram criados ou ampliados programas sociais, que são essenciais para o País, mas precisam estar bem estruturados para suportar o aumento da pobreza. Desde o fim do ano passado, os governos (Federal, estaduais e municipais) foram surpreendidos por um aumento de arrecadação inesperado, estimulado por alguns fatores, como reabertura da economia e efeito da inflação nos preços. Mas não houve uma melhora do ambiente econômico – pelo contrário. O desemprego recua lentamente e a pandemia postergou a retomada. Será preciso trabalhar bastante. Por outro lado, seria importante obter um bom 2022 para levar ao próximo ano alguma expansão econômica e outros bons indicadores para estimular a tomada de decisão dos investidores e da própria população.