Dados referentes às atividades econômicas no país no terceiro trimestre deste ano mostram que o consumo das famílias é o principal responsável pela aceleração ocorrida. Após recuar nos dois primeiros trimestres de 2019, a economia brasileira apresenta sinais de recuperação, e já há expectativa de expansão do consumo de quase de 2% neste ano, e acima deste patamar em 2020. Nota-se claramente que a queda de juros em algumas linhas de financiamento e a liberação de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) já estão proporcionando fôlego extra para as vendas de varejo do fim de ano. O consumo das famílias vem crescendo com mais vigor e importância do que o investimento, cujo ritmo de expansão ainda é lento e tímido. Analistas destacam que a retomada pode ser percebida nos balanços das empresas, com destaque para aquelas mais dependentes da economia doméstica, como consumo, varejo, energia, saneamento e construção civil. Este último segmento vem reagindo, e o trimestre julho-setembro de 2019 foi o primeiro, desde o fim de 2017, que o resultado líquido das incorporadoras ficou no azul. No terceiro trimestre, a retomada do consumo influenciou o aumento de 10,4% na receita líquida consolidada de 29 empresas ligadas à produção e à venda de bens de consumo, como varejistas de moda e administradoras de shoppings. Foi um avanço quase três vezes maior do que a inflação no período, e destaque-se ainda que o volume de vendas no varejo restrito cresceu 1,6% no trimestre, na comparação com o anterior. Esse aumento chegou a 2,6% em relação ao mesmo trimestre de 2018, com vendas mais intensas na maioria das categorias, com destaque para móveis, eletrodomésticos e tecidos. As projeções do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV) para este ano são de maior crescimento do consumo doméstico, enquanto os investimentos ainda patinam, em meio a incertezas econômicas, políticas e regulatórias. Assim, o comércio e os serviços devem continuar a crescer em ritmo superior aos demais segmentos, a construção civil irá parar de encolher, mas a indústria continuará no vermelho. O peso do consumo das famílias no PIB nacional é grande. Ele responde por quase 2/3 de toda a atividade econômica no país, e é positivo que ele avance. É preciso cuidado, entretanto, neste movimento. Um boom de consumo, baseado no crédito mais fácil e acessível, pode redundar em endividamento perigoso, com queda posterior inevitável. A melhoria no mercado de trabalho ainda é frágil e baseada em empregos de pior qualidade, o que torna o movimento de consumo regular mais incerto. Há muito a fazer na recuperação econômica nacional e, neste momento, consumir com responsabilidade é absolutamente necessário para evitar crises futuras.