Assim como prefeitos e governadores ganharam autonomia para decretar isolamento social, o Supremo Tribunal Federal (STF), com o placar de 10 a 1, permitiu a essas autoridades tornarem a vacinação contra a covid-19 obrigatória. Não que se espere que a imunização compulsória com ares de repressão policial seja o objetivo. Aliás, essa medida é até desaconselhada pelos infectologistas, adeptos da campanha educativa pela adesão facultativa. Na prática, trata-se de aplicar o que em tese já pode ser feito com outras vacinas, como as do calendário infantil como condição para a criança entrar na escola. O imunizante contra a febre amarela também serve de exemplo, pois é exigido de estrangeiros em diversos países. Deve-se citar ainda que empresas aéreas ou mesmo governos já discutem sobre quando começarão a exigir a apresentação de um comprovante de vacinação. Portanto, não tem sentido considerar essa decisão digna de regimes totalitárias. É uma opção sanitária com fundamental resultado na preservação de vidas e também fundamental para a volta ao convívio social e às relações econômicas. Clique e Assine A Tribuna por R\$ 1,90 e ganhe acesso ao Portal, GloboPlay grátis e descontos em lojas, restaurantes e serviços! Concluído o embasamento jurídico sobre a obrigatoriedade, deve começar já a importante tarefa do convencimento, que pode ter resultados bem mais práticos do que emitir uma ordem administrativa ou mesmo judicial para punir os faltosos. É importantíssimo que se obtenha um elevado percentual de banho vacinal para bloquear a transmissão do novo coronavírus. Como no caso do isolamento social, é possível que o negacionismo pregue o boicote à imunização ou que o presidente Jair Bolsonaro seja o principal propagador da aversão à vacina. Além disso, pesquisas indicam parcelas elevadas de cidadãos com medo de efeitos colaterais. Antes mesma da viabilização dos imunizantes, esse temor já foi apontado por estudos na Alemanha, na Rússia e em outros países e por aqui uma conversa com parentes, amigos e colegas de trabalho já é suficiente para apontar que esse é um problema mundial. Mas se houver uma campanha informativa séria conduzida por cientistas e principalmente infectologistas a verdade vai garantir a cobertura vacinal. Simultaneamente, as teorias da conspiração tentam passar a ideia de que tratamentos pela cura são mais viáveis que vacinas, o que não tem cabimento. As mortes continuam aumentando e, no Brasil, superam a casa de mil óbitos diários. Portanto, daqui a 15 dias serão mais 15 mil brasileiros mortos ou 90 mil após três meses. Não dá para brincar com a vida alheia. Depois dessa decisão no STF, as próximas iniciativas serão pela autorização para aplicar cada vacina. Pela sinalização de paz de Bolsonaro nos últimos dias, espera-se uma distensão crescente entre ele e o governador João Doria. A urgência é unir esforços para que sejam disponibilizadas vacinas de diferentes laboratórios e que a vacinação de todos os brasileiros não fique apenas para meados de 2022, como se não houvesse pressa.