Na véspera de entrarmos em um período mais duro de restrições, sob o polêmico lockdown, chama a atenção o desabafo do prefeito de Guarujá, Válter Suman, sobre a gravidade da situação no município que administra, particularmente nesta semana. Ontem, em A Tribuna, ele fez um apelo dramático à consciência dos cidadãos quanto ao respeito às regras impostas, em sintonia com os demais gestores diante do cenário nebuloso provocado pela covid-19. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal, GloboPlay grátis e descontos em dezenas de lojas, restaurantes e serviços! A partir de amanhã e até 4 de abril, a Baixada Santista passa a restringir atividades sociais e econômicas, com fechamento de comércios e limitação à circulação de pessoas. São atitudes amargas, mas necessárias, como aliás vem preconizando a comunidade científica há muito tempo. A região já passou dos 109 mil casos e 3.500 mortes desde março do ano passado, início da pandemia. Daquele período até agora, foram tomadas medidas fortes, não tão drásticas como a que passaremos a viver a partir de amanhã. Houve, em algum momento, um certo alívio nos números de casos e de óbitos, o que indicava possível achatamento da curva de ocorrências. Com isso, voltavam a liberação das atividades, com parcimônia, e a confiança de que o pior já havia sido superado. Porém, a doença retornou a patamares ameaçadores e escancarou a debilidade estrutural para o enfrentamento adequado dos casos. Ocupação de leitos em perigosos níveis exigiram a retomada de hospitais de campanha e abertura de novos leitos. Contudo, havia um outro e sério problema: a logística, consubstanciada nas carências de pessoal de Saúde e de equipamentos específicos, como respiradores. As medidas sanitárias, difíceis, embora urgentes, não encontram consenso no contexto geral da sociedade. Parte dos setores empresariais e comerciais se manifesta contra o novo regramento. Eles alegam dificuldades em manter os negócios e preservar os empregos. E têm razão neste aspecto. É nesta hora que entra o Poder Público, que deve oferecer providencial suporte ao setor produtivo, como enfatizaram especialistas ouvidos por A Tribuna. Como ficou claro na reportagem, não é o caso de se escolher entre saúde ou economia, mas agir de forma coordenada sob o bastão governamental. Para funcionar, o lockdown, nos moldes do que será implantado na Baixada Santista, precisa abranger aspectos primordiais para garantir a sobrevivência de todos os setores afetados. De alguma maneira, é o que esferas governamentais têm feito, para mitigar danos. Obviamente, em que pese o discurso contrário ao isolamento previsto, o Governo Federal acena com a volta do auxílio emergencial, embora com valores bem distantes dos que foram pagos no ano passado. Enfim, é o conjunto de ações, articuladas, e o posicionamento firme das autoridades que poderão ditar o rumo exitoso desse processo tão dramático quanto inédito a toda a sociedade, que, aliás, necessita estar consciente e fazer sua parte também. E, claro, o sucesso da campanha de vacinação, indispensável para que voltemos ao eixo.