[[legacy_image_116318]] Não é de hoje que se colocam em campos contrários, no debate e no conjunto de ações, defensores do patrimônio histórico a todo custo e os que enxergam esse mesmo patrimônio como um ativo, sim, mas não como obstáculo para o crescimento e renovação urbana. Em Santos, particularmente, esse debate é permanente, visto tratar-se de uma cidade com quase 500 anos, com um sem-número de imóveis antigos, mas não necessariamente de valor histórico, arquitetônico ou cultural. No entanto, basta um desses imóveis amanhecer com placa de “vende-se” para que movimentos em defesa do tombamento se criem, se espalhem. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Santista nenhum defende a dilapidação de seu patrimônio, é fato, mas é preciso ser criterioso no momento de defender o tombamento ou sua gravação com níveis de proteção. O debate voltou à pauta esta semana, quando a Universidade Católica de Santos (UniSantos) anunciou a desativação de seu campus Boqueirão, formado pelas faculdades de Direito e Arquitetura, e transferência dos alunos, no próximo ano, para o campus Dom Idílio José Soares, onde já estão instalados os demais cursos. Além de centralizar as demandas e otimizar os recursos, haverá a construção de prédio anexo, para atendimento a serviços de saúde e atividades culturais e comunitárias. Os imóveis do campus Boqueirão serão devolvidos à mantenedora da instituição, a Sociedade Visconde de São Leopoldo. O anúncio foi suficiente para desencadear o movimento pró-tombamento dos prédios. Manter a memória viva, quer seja de um ambiente ou de uma história, não está necessariamente atrelado a congelar espaços físicos. Não se discute a relevância dos cursos ali abrigados, pioneiros nas suas áreas aqui na Baixada Santista. Porém, é preciso apor uma vírgula quando se quer transformar essa relevância em tombamento. Embora haja uma legião de defensores de que o tombamento não significa inutilizar os espaços, é preciso admitir que ele dificulta e até inviabiliza, sim, a natural renovação urbana de uma cidade. O tombamento não pode engessar as cidades. É preciso crescer e adaptar os espaços urbanos ao modo de viver do cidadão, que muda a todo instante. É possível manter o conjunto urbanístico e ocupar melhor a Cidade, garantindo espaços livres, espaços verdes, espaços com qualidade de vida. O que não se pode, isto sim, é tombar sem critério apenas por se tratar de imóvel antigo. Atualmente, há, em Santos, mais de 100 imóveis tombados, em processo de tombamento ou gravados com algum nível de proteção. Importante destacar que Santos guarda e conserva seu patrimônio arquitetônico e cultural, mas nem todo ele está preservado, situação essa que mereceria, sim, uma defesa constante. Ocupar a Cidade sem agredi-la ou ao seu passado é tarefa de todos, mas o que não se pode defender é que essa defesa signifique mantê-la congelada e estática. A vida pede movimento.