[[legacy_image_46340]] Se desde o fim do século 19, algumas cidades se sobressaíram pela disponibilidade de capitais, mão de obra e matérias-primas, vantagens que foram aprimoradas pelo ensino, sistema de transportes e estabilidade política - o que explica o predomínio econômico paulista - nos atuais tempos, as tecnologias e a sustentabilidade ambiental são os parâmetros do desenvolvimento dos municípios. A pandemia, com o impulso ao trabalho remoto, mostrou que as populações estão dispostas a se mudar de suas localidades em busca de qualidade de vida. Mesmo que a maioria dos trabalhadores não possa migrar para onde bem entender, a verdade é que todas as carreiras serão de certa forma influenciadas pelas mudanças socioeconômicas que se aceleram. Neste contexto, as cidades precisam estar prontas para se reinventar ou aproveitar os potenciais que já detêm. Enquanto algumas possuem qualidades generalistas, outras são mais focadas. Na região, a grande discussão é como elevar o valor agregado do turismo de veraneio, mas o caminho, além de cada município fazer o trabalho de casa (saúde, educação, infraestrutura urbana e segurança), é identificar sua vocação econômica e ao longo das décadas aprimorá-la. Parece uma tarefa óbvia e simples, mas não é - a tradição brasileira é não haver continuidade na troca dos ocupantes do poder local. Esse processo de desenvolvimento pode começar, por exemplo, com a capacitação de funções específicas para o nicho que se busca e também de cuidar melhor da imagem do município. Tanto para ter uma marca forte como desenvolver condições para receber empreendedores e haver abertura para assimilar inovações, o grande detonador da revolução tecnológica de agora. Ao longo das décadas, Cubatão se tornou um polo industrial, Santos o portuário e, nos últimos 20 anos, Praia Grande, com baixo custo, espaço para crescer e infraestrutura urbana, obteve grande sucesso na competição entre as cidades. Bertioga também se desenvolveu com a vantagem de, quase inexplorada, atrair uma âncora econômica, a Riviera de São Lourenço. A cidade, que completou ontem 30 anos de emancipação, ainda pode desfrutar do potencial de sua riqueza ambiental turística, mas não pode abrir mão da sustentabilidade. As commodities continuam essenciais, afinal muitas das novas energias e dos equipamentos tecnológicos dependem desses insumos, como veículos elétricos e celulares. Porém, o capital humano é essencial, o que dá grande valor ao ensino e à pesquisa científica. Santos pode se valer dessa qualidade. Muitos dos serviços hoje disponibilizados por negócios físicos já começam a ser ofertados de forma remota - originários de outras regiões ou até países. O capital humano local precisa ser estimulado e também atender essas necessidades. Passada a pandemia, a realidade das novas tecnologias vai se impor e, de novo, algumas cidades vão se sobressair muito mais que outras.