[[legacy_image_340456]] A Baixada Santista, em especial, Mongaguá, Itanhaém e Praia Grande, foi atingida novamente por chuvas intensas na última terça-feira (5), alagando ruas, desabrigando famílias e arrastando carros. São transtornos provocados por temporais cada vez mais intensos que são considerados reflexos das mudanças climáticas. Estes não podem ser vistos como fenômenos apenas de um verão chuvoso, pois vêm se repetindo há alguns anos em regiões diferentes, como em março de 2020, com muitas mortes em Santos, em múltiplas ocasiões na Região Serrana do Rio de Janeiro, com centenas de óbitos, e ainda em Recife (PE), Salvador e o sul da Bahia, em Minas Gerais e em outras grandes cidades do País. Deve-se relembrar o drama da cidade gaúcha de Muçum, no norte do estado, arrasada por uma enchente histórica em setembro passado. Segundo os cientistas, esses temporais são cada vez mais surpreendentes, o que exige mais investimentos em serviços de meteorologia, e violentos. Entretanto, há o agravante da expansão das cidades ao longo das décadas de forma desorganizada, com a ocupação de encostas e das margens dos rios e a expansão da urbanização sem a devida drenagem, o que piora os alagamentos e estimula a correnteza que causa muitas mortes. Além da falta de fiscalização e da construção irregular, trata-se de uma degradação ambiental, com o desmatamento dos morros e o sumiço das áreas verdes dentro dos municípios, o que dificulta a absorção da água pelo solo. Recentemente, autoridades têm justificado pelo País que os problemas são reflexo das mudanças climáticas – mas isso não pode virar desculpa para nada fazer. Uma das medidas mais importantes é a prevenção, orientando a população sobre como reagir nas cheias abruptas. Contudo, a cada temporal surgem vídeos de motoristas enfrentando ruas alagadas e moradores tentando atravessar em meio à correnteza. Por outro lado, as prefeituras precisam contar com equipes mais numerosas prontas para socorrer as vítimas e oferecer abrigo com maior conforto, além de uma capacidade de arregimentar profissionais voluntários, como engenheiros e pessoal da saúde, para as ações mais emergenciais. Entretanto, é fundamental fazer planejamento de longo prazo. Todas as esferas de governo precisam repensar os investimentos na infraestrutura viária das cidades, o que se admite, não é fácil, e depende de muitos recursos. O que pesa a favor dessas ações é que as grandes metrópoles e cidades médias reduziram seus ritmos de crescimento. Porém, a habitação precária, o que envolve a ocupação de áreas expostas aos efeitos trágicos dos temporais, continua sendo um problema urbano de difícil e demorada solução. No fim das contas, os gestores públicos enfrentam o desafio de conseguir modificar a estrutura de serviços das prefeituras para dar conta dessas demandas, que não são novas, mas que surgem de forma arrebatadora devido às chuvas.