[[legacy_image_326049]] Como quase tudo nos dias atuais, o debate sobre o aquecimento global ganhou contornos políticos. Enquanto uns, mais à esquerda, alertam para o problema de forma categórica, outros, na contramão, chegam a dizer que ele sequer existe. Entretanto, dados recentes mostram que a questão precisa ser encarada com seriedade e preocupação, deixando as barreiras ideológicas de lado. Em recente manifestação, a Organização Meteorológica Mundial confirmou que 2023 foi o ano mais quente já registrado, com uma média global bastante superior àquela apresentada em períodos pré-industriais. A conclusão é que o planeta se aproxima perigosamente dos limites estabelecidos no Acordo de Paris. Os problemas não param por aí. Conforme a Organização das Nações Unidas (ONU), o El Niño – fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do oceano Pacífico na sua porção equatorial – ampliou o impacto das mudanças climáticas para gerar temperaturas elevadas na segunda metade de 2023. Dessa forma, 2024 tem potencial para ser um ano ainda mais quente. António Guterres, secretário-geral da ONU, foi enfático ao dizer que “as ações da humanidade estão queimando a terra”. Os cientistas sustentam que um aquecimento médio de 1,5°C ao longo de duas ou três décadas poderia levar o planeta ao pior cenário. “Vidas estão em risco e há decisões que terão de ser tomadas. Essas decisões não afetarão você ou a mim, mas afetarão nosso povo, filhos e netos", disse Samantha Burgess, vice-diretora do Copernicus, observatório europeu. O calor recorde foi responsável por estragos e mortes em Europa, América do Norte e China. Além disso, há fenômenos climáticos extremos ocorrendo, como a seca prolongada na África, as chuvas torrenciais que destruíram barragens e mataram milhares de pessoas na Líbia e os incêndios florestais no Canadá, que poluíram o ar do Hemisfério Norte. No Brasil, são incontáveis episódios de chuvas intensas que causam mortes e destruição ao longo dos anos. Nos últimos dias, a cidade de São Paulo sofreu bastante com alagamentos e quedas de árvores. Segundo o Copernicus, existem vários fatores que contribuíram para que 2023 fosse o ano mais quente de todos, mas de longe o maior foram os gases de efeito estufa. Esses gases retêm o calor na atmosfera e provêm da queima de carvão, petróleo e gás natural. Pela primeira vez, os países reunidos na conferência anual das Nações Unidas sobre o clima, em dezembro, selaram um acordo histórico para transição de combustíveis fósseis, mas não citaram prazos de eliminação total. Como se vê, já passou da hora de o aquecimento global ser tratado com a devida seriedade, sob pena de a sobrevivência na Terra se transformar em um verdadeiro desafio em poucos anos.