[[legacy_image_323314]] Em linha com o que os cientistas já adiantavam, o relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), que é uma agência das Nações Unidas, apontou que este ano deverá ser mais quente do que o tórrido 2023, principalmente porque o El Niño se dissipará apenas entre abril e junho. Até lá, os governos precisam redobrar a vigília, pois tempestades violentas poderão causar resultados catastróficos em cidades com encostas ocupadas por moradias irregulares e urbanização com falhas de drenagem. Em partes do País, a seca tende não apenas a punir famílias, como resultar em perdas ao agronegócio, com consequente desemprego, endividamento dos produtores e inflação abrupta dos produtos alimentícios. Durante todo o ano passado, enxurradas arrastaram moradias e deixaram muitos mortos em casos comoventes, que apesar de ocorrerem sem aviso prévio seriam menos trágicos se as cidades tivessem melhor infraestrutura e habitações decentes. Além de estabelecer um eficiente programa de alertas e socorro contra emergências de extremos climáticos, os governos precisam zelar melhor pela urbanização e reduzir impactos no meio ambiente. A destinação correta do lixo e a proteção da vegetação nas margens dos rios e dos biomas nos entornos dos municípios se tornaram questão de sobrevivência. Já há uma imensa discussão sobre as mudanças climáticas e os problemas que elas causam com seus efeitos em níveis extremos. Portanto, neste ano, os legisladores precisam ser mais assertivos e urgentes parar priorizar nas regras ambientais a fiscalização e a punição dos que levam destruição à flora e fauna. Entretanto, a preservação ambiental e o combate às mudanças climáticas dependem da transição de uma economia baseada em petróleo para uso simultâneo de diversas fontes limpas. Para isso, além do estímulo do governo, e isso não significa necessariamente incentivo fiscal, é preciso oferecer crédito para que as indústrias adaptem seus equipamentos e os consumidores possam ter acesso a veículos híbridos. A eletrificação dos automóveis enfrenta a barreira do preço, que deve cair com a massificação, mas ainda há falta de pontos de recarga desses carros. Também há necessidade de apoiar famílias que vivem associadas ao meio ambiente, geralmente em situação de pobreza. No Rio de Janeiro os moradores de regiões com mangue ganham um auxílio mensal de R\$ 1 mil para proteger o bioma, como recolher lixo e impedir a devastação. Diz-se muito sobre estimular os ribeirinhos da Amazônia a ingressarem na economia verde, mas isso na prática não se vê de forma disseminada. Hoje, avança o uso de energias eólica e solar, porém com foco na redução do gasto na conta. Há uma disseminação de ideias e iniciativas, porém, falta centralizar esses dados para concluir até que ponto se chegou e como se deve avançar daqui para frente de forma eficiente.