[[legacy_image_174526]] Os ganhos do Brasil com o formidável desenvolvimento do agronegócio nas últimas décadas são indiscutíveis, mas é inaceitável que o desenvolvimento do País se apoie apenas nesse pilar. Por isso, a sociedade precisa exigir das pré-candidaturas presidenciais projetos econômicos mais consistentes e de longo prazo. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A geração de emprego, o aumento da oferta de crédito e a redução da carga tributária são pautas de urgente implantação. Porém, é necessário definir os rumos que o País pretende tomar nas próximas décadas e que dependem de mudanças estruturais, como reverter o rápido encolhimento da indústria no Produto Interno Bruto (PIB), melhorar a competitividade brasileira entre os emergentes e propiciar a distribuição de renda. Paralelamente, é fundamental discutir formas de diminuir o tamanho do Estado, acima dos padrões internacionais, o que reduz o avanço da iniciativa privada e as chances de empreendedorismo. O agronegócio leva a prosperidade a vários cantos, como a soja no Centro-Oeste e Piauí, um estado antes condenado ao atraso, ou mesmo o café no Espírito Santo, sul da Bahia e Rondônia. Nas regiões de vocação agropecuária, a comercialização das safras estimula o comércio e os serviços e empregos alternativos aos dos grandes centros. Entretanto, a tradição da economia brasileira é da diversificação, até como uma necessidade para um País de dimensões continentais e população de 214 milhões de habitantes. A riqueza do campo está associada aos aumentos de produtividade e não apenas de expansão das fronteiras agrícolas; porém, esses ganhos também dependem de fatores macroeconômicos, como a subida do dólar e a valorização das commodities, que ocorrem de tempos em tempos. O desenvolvimento dos emergentes e dos países africanos indica um desafio de alimentar centenas de milhões pelo mundo, o que favorece as exportações brasileiras, mas é preciso pensar no futuro das grandes metrópoles e das cidades médias, principalmente as paulistas. A indústria, que em São Paulo se desenvolveu a partir dos lucros com o café no século 19, tem um papel inesgotável na geração de riqueza em cadeia, como no caso dos veículos (montadoras atraem autopeças e estas muitos fornecedores). Mas o setor industrial não terá mais a participação de décadas atrás no PIB, até porque esta é a era dos serviços, ainda mais com as inovações tecnológicas, cujo desenvolvimento exige investimentos maciços em ensino e pesquisa, há muito descuidados no País. A educação é a melhor forma para gerar oportunidades para os mais pobres no País. Contudo, os governos, devido à carga tributária elevada e às gorduras estatais, de forma prática concedem isenções tributárias, que geralmente beneficiam setores com mais trânsito em Brasília. No fim das contas, poucos recursos restam para o investimento público. Por isso, os pré-candidatos precisam revelar o que planejam no longo prazo para o Brasil.