[[legacy_image_77699]] Os dados do varejo de maio da Pesquisa Mensal do Comércio, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), embutem uma recuperação do setor, um dos maiores empregadores do País e também entre os mais atingidos na pandemia. De acordo com o levantamento, as vendas já superam em 3,9% o período pré-pandemia, em fevereiro de 2020, e avançam sem depender dos recursos do auxílio emergencial. Como a economia já patinava no final de 2019, não seria difícil o comércio pelo menos empatar com os resultados do início de 2020 – o mais importante é que o varejo está agora em uma sequência de índices positivos. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! A consistência dos dados do comércio também pode ser observada pelo desempenho dos ramos. Se no ano passado, as vendas de eletrodomésticos tiveram mais força, agora os de semiduráveis, como vestuário, crescem mais forte, reflexo da abertura do comércio, o que agora deve se espalhar para outros segmentos comerciais, como bares e restaurantes. Essas atividades, pelo menos no Estado, poderão funcionar a partir de hoje até as 23 horas, sinal de que o desemprego poderá se arrefecer ao longo dos próximos meses. Com uma base de comparação tão deteriorada como a do ano passado, os índices de aumento de vendas estão com dois dígitos, gerando a impressão, pelo menos nas estatísticas, de que a economia voltou vigorosa, porém, ainda há um longo caminho a percorrer. O ministro da Economia, Paulo Guedes, tem investido em discursos otimistas, mas que precisam ser sucedidos de medidas efetivas para o Brasil crescer. Ele investe em projetos que exigem longa maturação. São importantes e devem ser tocados, mas paralelamente a programas de rápido impacto exigidos pelo momento. A principal delas é o crédito, que não está atendido o suficiente pelo Pronampe, voltado às micro e pequenas empresas. Também é urgente estimular as contratações para reduzir o desemprego. A ideia de Guedes é criar uma espécie de Bolsa Emprego, com bônus para empresas, para jovens em início de carreira e trabalhadores maduros com dificuldade de se reinserirem no mercado. Falta o ministro cumprir sua meta de campanha eleitoral de reduzir o custo tributário sobre a folha de salários, essa sim uma medida que turbinaria a geração de empregos. O momento é de muita esperança, mas os pés no chão e a experiência que já se tem com as idas e vindas econômicas do Brasil obrigam admitir que a retomada não será fácil. Isso porque os juros estão em ascensão para combater a inflação, o que encarece o crédito e desestimula o consumo, a compra da casa própria e os investimentos na produção. Há ainda o risco do governo elevar os gastos para sustentar iniciativas populistas. Portanto, as bases da economia estão frágeis, mas se os sinais forem de recuperação gradual e trabalho duro da equipe econômica, a confiança na retomada poderá ser o maior dos estímulos.