[[legacy_image_285477]] A Baixada Santista é palco desde a semana passada de uma onda de violência sob risco preocupante de consequências de longo prazo. O Governo do Estado precisa agir de forma contundente, cumprindo a lei e enfrentando de forma vigorosa os criminosos, que a cada dia mostram sua audácia sem limites. Entretanto, não se deve aceitar um tom de revanche ou vingança. O princípio da segurança pública é proteger a população, principalmente moradores humildes de comunidades que ficam sujeitos aos bandidos, mais fortes onde o setor público se omite da oferta de seus serviços. O momento é dos mais graves porque e a população teme ser surpreendida no meio da troca de tiros entre policiais e bandidos. O caso do Morro São Bento, onde crianças se jogaram no chão na hora de ir para a escola, e o ataque a policiais ao redor de uma padaria no Campo Grande, em Santos, são assustadores. Desde o fim de semana, moradores de Guarujá estão apavorados com um contexto de guerra. A Ouvidoria das polícias cumpriu seu papel ao apontar dez mortes após a primeira ação da Operação Escudo, na sexta-feira, e que moradores relataram abusos e que temiam execuções (o Governo de São Paulo negou abusos e diz que isso é comprovado por exames), assim como o Estado precisa ser cobrado por suas ações e não deixar dúvidas de sua firmeza com base na lei. Ontem, o governador Tarcísio de Freitas disse que investigará eventuais abusos e pediu respeito às forças policiais. Na última quinta-feira, o soldado PM Patrick Reis foi morto por um atirador em área próxima à Vila Gilda, em Guarujá, e um outro policial foi baleado na mão esquerda e socorrido. Segundo reportagens, os agentes participavam de ação contra tentativas dos criminosos de expandir controle sobre as comunidades, indicando que um confronto se desenhava nos últimos tempos. Tal situação comprova o que o próprio governador admitiu e que as constantes reportagens indicam, de que o crime organizado atua de forma disseminada na região. Contra isso, é preciso agir no longo prazo, com muita investigação e punição exemplar. Não deve haver espaço para bravatas e oportunistas em busca de ganho político, assim como todos os lados, inclusive outros poderes e de instância federal, devem estar unidos. As pesquisas de segurança pública indicam que o Estado tem o mais baixo índice de homicídios no País, porém A Tribuna noticia, em paralelo aos pequenos e médios crimes, o tráfico por meio do setor portuário e roubos de cargas das ferrovias, indicando um esforço dos bandidos por melhor organização de atividades e que resultem em maior ganho financeiro. Não se deve achar que o crime já atingiu seu patamar mais elevado na região ou no Estado. Tudo pode piorar, bastando observar o Rio de Janeiro, controlada por milícias, traficantes e contraventores, ou o Nordeste, onde há uma explosão de assassinatos nas capitais e cidades de menor porte.