[[legacy_image_204552]] O consumo das famílias assumiu o protagonismo do crescimento da economia brasileira, mas o ideal seria uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) capitaneada pelos investimentos, em especial, na infraestrutura. Desta forma, além da geração de milhares de empregos, o País reduziria os custos logísticos, adquirindo competitividade. É o que fez a China para crescer por décadas seguidas e assim deverá repetir para reagir após este ano decepcionante para o gigante asiático. Entretanto, o Brasil segue seu caminho de tomada de decisões descabidas e erráticas. É o caso do orçamento proposto pelo Governo para o próximo ano, com baixos investimentos do setor público. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O orçamento, que deve ser votado só após a eleição, reservou R\$ 4,7 bilhões para a infraestrutura, um quantia irrisória para atender as necessidades de um país de dimensões continentais e 215 milhões de habitantes. Para efeito de comparação, o segundo trecho do VLT em Santos, a ser concluído no próximo semestre, custou R\$ 218 milhões ao Governo do Estado. O economista Raul Velloso, um dos maiores especialistas em contas públicas do País, afirma que a economia brasileira não consegue crescer há muitos anos (intercala períodos curtos de baixo crescimento com fases de recessão desde os anos 1970) porque deixou de investir em infraestrutura. Apesar da festa do Governo, do mercado e de muitos analistas com a expansão do PIB de 1,2% no segundo trimestre, em relação ao primeiro, Velloso afirma que o Brasil registra há oito anos uma queda anual de 0,5%, frente a 3,9% a cada 12 meses entre 2004 e 2013. “Há muito tempo, nós não conseguimos repor o estoque de infraestrutura e ela só se deteriora e se desmancha”, diz Velloso, em um veemente alerta. Há distorções absurdas neste projeto de orçamento, como destinação de apenas R\$ 16 milhões para o saneamento básico e R\$ 1,4 bilhão para a compra de caças da Aeronáutica, resultado do programa militar do ex-presidente Lula, mas que tem mais recursos só agora, com Bolsonaro. O que mais impressiona é que R\$ 38,8 bilhões estão reservados para emendas no próximo ano, sendo que R\$ 19,4 bilhões irão para o orçamento secreto, que não dá transparência sobre qual congressista será beneficiado. Parte desses recursos pode ir, por exemplo, para a construção de uma estrada ou um reservatório contra a seca, contudo, a escolha da região atendida não é a da mais necessitada, mas por ser reduto do parlamentar. O baixo investimento em infraestrutura não começou nesta gestão. Essa falha ocorre há décadas, sendo que o crescimento do País tem se sustentado no consumo das famílias, uma conta que sofre o efeito da inflação e dos juros altos diretamente em sua capacidade financeira. Já a infraestrutura, além de injetar recursos em várias cadeias de produção e serviços, fornece as ferramentas para o País crescer de forma competitiva e moderna, com custo baixo.