[[legacy_image_272656]] A desvantagem da indústria brasileira frente à competição externa, principalmente a asiática, é conhecida há algumas décadas, aliás, sem que os governos tenham investido em uma estratégica mais agressiva para o setor. Porém, um estudo do coordenador do Observatório da Produtividade do FGV Ibre, Fernando Veloso, dá uma dimensão exata e preocupante sobre a letargia que tomou conta do segmento de transformação, que envolve a fabricação de roupas, veículos, eletroeletrônicos e máquinas. De acordo com Veloso, nos últimos 27 anos, a produtividade dessas empresas caiu uma média de 0,9% ao ano. Em 1995, cada hora trabalhada gerava R\$ 45,50 no Brasil, enquanto em 2022 esse potencial era de apenas R\$ 36,50. Em apenas 11 anos (do total de 27) ocorreram melhoras em relação aos 12 meses anteriores, um ganho anulado pelos outros 16 anos negativos. Produzir mais e melhor propicia redução de custos, aumento da lucratividade, sobra de recursos para investir e aumento de salários porque haverá competitividade por mão de obra devido ao crescimento da economia, um reflexo dessa própria produtividade. Além disso, essa eficiência e preços atrativos estimulam a exportação, em um contexto de prosperidade mais sustentável, ao contrário do que se vê no Brasil desde os anos 1970. Os economistas dizem que ocorreram “voos de galinha”, quando o País dá saltos de crescimento intercalados por mergulhos na estagnação ou recessão em meio a surtos de inflação. São debilidades não resolvidas que moldaram esses fracassos, como carga tributária elevada, burocracia que atrasa a tomada de decisões das empresas e aumentam os custos, mão de obra com má formação educacional e, por isso, de desempenho baixo, transportes precários e violência urbana. Nas últimas três décadas, paralelamente à queda de produtividade brasileira, a China deslanchou sua estratégica de preços competitivos a partir de um estoque de trabalhadores com salários baixos, tornando-se a indústria do mundo, e a Coreia do Sul se transformou em um país rico por meio do ensino técnico e da alta tecnologia. O Brasil brilhou nesse período com commodities agrícolas e minerais, o que é um feito e tanto. Os saldos comerciais bilionários deixaram o problema da dívida externa para trás e o desenvolvimento se transferiu para o Interior. Mas na tradição da falta de planejamento e dificuldade para aplicar ideias, o Brasil deixou a indústria minguar. Ela se mudou em parte de São Paulo para outros estados para aproveitar impostos em conta devido à guerra fiscal. Porém, o setor no Brasil não acompanhou os passos largos dos concorrentes mundiais. Agora se vê uma lenta recuperação do emprego com salários mais baixos e toda uma cadeia de produção nas grandes cidades que ameaça se perder. Planos como o do carro popular são iniciativas tímidas e o que falta é definir prioridades, além de as metas serem atingidas incansavelmente.