Uma das consequências mais negativas da prolongada crise econômica que atinge o Brasil desde 2014 é ter reduzido a produtividade da mão de obra nacional. O desenvolvimento econômico depende da maior capacidade produtiva de cada trabalhador, que não se confunde com o aumento da jornada de trabalho ou maior exploração. Ao contrário, produzir mais, no mesmo tempo e com os mesmos recursos, exige capacitação e treinamento da força de trabalho e investimentos em tecnologia, processos e procedimentos. Isso, infelizmente, não tem acontecido no país. Estudo realizado por economistas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) no Rio de Janeiro mostrou que a produtividade do trabalho vem diminuindo, mesmo após o fim da recessão de 2014-2016. Desde então, o PIB nacional vem crescendo, embora a taxas muito modestas, ao redor de 1% ao ano, mas isso não se traduziu em ganhos de produtividade. O fenômeno atual destoa de períodos de crise anteriores, quando ganhos acentuados na produtividade foram verificados quando as dificuldades econômicas foram superadas, demonstrando a profundidade e o alcance hoje do problema. Desde o início de 2017, quando a economia começou a recuperação, só foram notados aumentos de produtividade nos dois primeiros trimestres após o fim da recessão. No resto do período, as estatísticas apontam crescimento próximo de zero, ou até mesmo queda de produtividade, em todos os trimestres que foram analisados. As causas estão ligadas à retomada muito lenta das atividades e principalmente à informalidade que tem predominado nas relações produtivas. Destaque-se que empresas que atuam no setor formal alcançam índices de produtividade quatro vezes maiores do que os observados no informal, segundo a FGV-RJ, e isso é explicado pelo maior acesso ao crédito, utilização de tecnologia mais sofisticada e seleção de pessoal com qualificação destacada, pagando a eles salários mais altos. No setor informal acontece o oposto. A precariedade e a improvisação predominam, e isso limita a capacidade de reação da economia como um todo. Muitos trabalhadores qualificados foram inclusive forçados a deslocar-se para a informalidade, aceitando empregos que requerem pouca formação, e desperdiça-se assim a possibilidade de ganhos efetivos de produtividade. Segundo o estudo, o aumento da informalidade responde pela metade da queda de produtividade na economia brasileira desde 2014. Não há dúvida que ganhos de produtividade são essenciais para o aumento da competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional e para o desenvolvimento do país. Mas a conclusão é que isso só acontecerá com a volta do crescimento mais vigoroso, com maior demanda de profissionais qualificados, contratados por empresa que estão integradas aos setores mais dinâmicos da economia.