A condenação da ex-cúpula da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) – por unanimidade –, na quinta-feira, consolida o quadro degradado da política do Rio de Janeiro. Deve-se lembrar, ainda, que cinco ex-governadores do mesmo estado já foram detidos por acusações de corrupção. Dois deles, Sérgio Cabral Filho e Luiz Fernando Pezão estão presos. Já o casal Rosinha e Anthony Garotinho, no momento, responde em liberdade, enquanto Moreira Franco, que comandou o Rio entre 1987 e 1991, foi detido e depois solto na mesma operação que investiga o ex-presidente Michel Temer, de quem foi ministro. O alcance da Lava Jato sobre as principais figuras da política fluminense das duas últimas décadas é avassalador, mas necessário como fator de combate ao saque criminoso que foi praticado nas contas públicas da população do Rio, conforme as investigações revelaram. Tal cerco merece a atenção de cada brasileiro, pois desvenda as artimanhas da corrupção e que provavelmente têm tais estratégias replicadas em grau menor ou até semelhante em muitas partes do país. A ex-cúpula da Alerj, que já está atrás das grades, é formada por Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi. Por duas décadas o trio atuou com desenvoltura nos bastidores da Alerj, conforme a Operação Cadeia Velha, desdobramento da Lava Jato. A acusação específica que os levou à condenação (respectivamente 21, 12 e 13 anos) se refere a um esquema de propina para favorecer as empresas de ônibus urbanos e a Odebrecht, com crimes praticados no governo de Cabral, do MDB. Cabe recurso à decisão (Picciani está em prisão domiciliar e Mello e Albertassi detidos na penitenciária). O impacto nefasto de tantos anos com essa política no poder se pode ver nos serviços prestados pelo governo estadual à população, especialmente com as milícias e o tráfico dominando regiões extensas da capital e da Baixada Fluminense e a situação da saúde à míngua. Porém, não há garantias de que a faxina terá o efeito esperado do saneamento da política. Isso porque os meios de disseminação da corrupção não estão cessados. Trata-se da coalizão de partidos para compor a maioria no Legislativo, com distribuição de secretarias e cargos, tal como de costume no País. Se o eleitor brasileiro almeja realmente golpear a corrupção, o combate à coalizão de partidos como se vê hoje deve ser o principal alvo. Por trás dessa artimanha, proliferam-se os partidos, a grande maioria sem ideias, mas com muitos interesses. O setor público não pode ser tratado como uma propriedade do grupo do momento que estiver no comando. A Lava Jato é um divisor de águas, mas que atua no rastro da criminalidade política. É preciso reforçar medidas preventivas que impeçam que quadrilhas cheguem ao poder.