[[legacy_image_151656]] As autoridades sanitárias de Santos estão certas ao demonstrar preocupação com o risco de uma onda de contágios de dengue e chikungunya a partir de março, época em que tradicionalmente aumenta a incidência das doenças causadas pelo Aedes aegypti. Por enquanto, o registro de casos está baixo na comparação com o ano passado. Em Santos, segundo a Prefeitura, neste bimestre foram identificadas sete contaminações pela dengue contra 1.855 em igual período de 2021. Nas outras cidades da região, ainda não há notificações de infectados, frente a 479 em janeiro e fevereiro de 2021 (Cubatão e Itanhaém não divulgaram dados de 2022). O que parece uma estatística animadora, na verdade, não traz muita segurança. Segundo a chefe do Departamento de Vigilância em Saúde de Santos, Ana Paula Valeiras, a Cidade tem larvas e focos do mosquito – a Prefeitura realiza nesta semana a sétima operação de combate a criadouros do inseto, desta vez na Ponta da Praia. A especialista suspeita que o registro da doença esteja subnotificado, quando a identificação oficial de contaminados fica abaixo do que realmente ocorre. Isso é bem possível, pois desde as festas de fim de ano houve uma explosão de gripe e covid-19, sobrecarregando as redes pública e particular de saúde, o que pode ter deixado as outras doenças infecciosas para segundo plano. O novo coronavírus, ainda mais com a variante Ômicron, é a prioridade, mas Ana Paula Valeiras alerta que dengue mata e chikungunya deixa sequelas. As duas doenças transmitidas pelo Aedes aegypti continuam ameaçadoras porque há condições propícias: muito lixo exposto às chuvas, mosquitos em circulação e calor, formando o ambiente ideal para reprodução e aumento da sobrevida do transmissor. Como há casos sendo identificados em Santos, isso indica existir insetos com o vírus, mantendo o ciclo de contaminação. Há ainda o efeito climático, como o período de dias mais quentes demorando a começar no fim do semestre passado, o que pode ter retardado o ciclo reprodutivo do Aedes aegypti. Doenças transmitidas por insetos, como dengue, podem ser controladas ou até erradicadas se o transmissor for eliminado. Entretanto, os governos falharam nesse aspecto. Controlado no Brasil em boa parte do século passado, o Aedes aegypti voltou a se espalhar em Santos e outras cidades costeiras em meados dos anos 1990, causando epidemias - desde então elas se repetem com regularidade. As várias campanhas com muito dinheiro público não foram suficientes e o mosquito hoje é encontrado em regiões com climas mais amenos, onde antes se pensava que ele não teria condições de se multiplicar. Isso parece ser resultado das mudanças climáticas, pois há registro de insetos de regiões tropicais em Tóquio, Paris e Nova Iorque. Mas se décadas atrás o combate ao mosquito tivesse dado bons resultados, a dengue estaria debelada.