[[legacy_image_338800]] A pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o rendimento domiciliar per capita (por morador), de 2023, prova que persiste inabalável uma das mais antigas mazelas econômicas do País, que é a concentração de renda, com forte relação com a geografia. O estudo do IBGE apontou que o Distrito Federal tem ganho por morador de R\$ 3.357, quase o dobro do registrado pelo Brasil de R\$ 1.893. Essa diferença foi atribuída pelo economista do Ibmec, Gilberto Braga, ao contingente de funcionários públicos, inclusive com os salários mais altos das chefias dos órgãos federais. Por estado, depois do Distrito Federal, o pelotão de rendimentos médios mais altos está concentrado em São Paulo, com quase R\$ 2,5 mil, Rio de Janeiro, com R\$ 2,4 mil, e Rio Grande do Sul e Santa Catarina, ambos ao redor de R\$ 2,3 mil. O Mato Grosso do Sul e o Mato Grosso, onde há forte expansão da agropecuária, se destacam por ficarem no entorno de R\$ 2 mil. Há ainda outra surpresa, o Piauí, que ao longo das décadas liderava índices de pobreza, agora aparece com ganho de R\$1.342, talvez porque o agronegócio passou a se desenvolver no sul do estado. O resultado do Piauí ainda é ruim, inferior ao salário mínimo de R\$ 1.412, mas bem à frente do lanterna da pesquisa, o Maranhão, com apenas R\$ 945. Pernambuco e Bahia, que têm uma economia mais diversificada, impressionam pelas médias baixas, respectivamente, de R\$ 1.139 e R\$ 1.113. Com exceção de Brasília, o levantamento também revela que o salário mínimo continua como referência de renda para o País. Entretanto, a pesquisa leva em conta todos os moradores do domicílio, inclusive pensionistas, empregados domésticos e seus parentes, e qualquer tipo de ganho, inclusive valores pagos por programas sociais, o que resulta em médias muito baixas nos estados mais pobres. Mas a média por estado não pode ser considerada um fiel retrato socioeconômico, pois a concentração de renda deturpa uma análise do tipo. Por exemplo, em São Paulo há uma elite numerosa, de elevadíssima renda, relacionada a grandes negócios de finanças, comércio, indústria e tecnologia da informação, assim como uma classe média alta com bons salários. Porém, há milhões de paulistas em imensos bolsões de pobreza em médias e grandes cidades. Ao longo das décadas, houve um avanço das condições de vida do brasileiro. Assim como o progresso econômico tem migrado de São Paulo para outros estados por meio da guerra fiscal, industrializando o interior do País, o agronegócio trouxe resultados impressionantes para o Centro-Oeste e Sul e parte do Nordeste. Infelizmente a melhora se dá em ritmo lento, se comparada com o que ocorreu com países asiáticos, como a Coreia do Sul. No fim das contas, a educação de base precária anula as chances de aumento de renda, pois os jovens não conseguem se capacitar para as carreiras com boa remuneração.