[[legacy_image_121857]] A questão é metropolitana e de difícil solução, e vem tomando uma proporção que já começa a demandar ações efetivas por parte dos órgãos públicos, em especial, das prefeituras. Fruto do empobrecimento que se intensificou na pandemia e, provavelmente, pela expulsão de outros municípios do Estado e até de demais unidades da federação, a população em situação de rua cresce a olhos vistos na região. Em Santos, eles estão debaixo de marquises, junto a estabelecimentos que encerraram suas atividades, nos bancos da praia, nas praças e até mesmo em tendas improvisadas com lençóis, papelão e madeira nos bairros da região central e em algumas vias do Porto. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O último levantamento oficial feito pela Prefeitura de Santos foi divulgado em 15 de dezembro do ano passado, e tinha como referência dados do censo feito em conjunto com a Unifesp - Campus Baixada Santista, em outubro de 2019. Naquela ocasião, a estatística apontava para um crescimento de 71% dessa população em uma década: de 507 em 2009 para 868 em 2019. Empiricamente, é possível afirmar que, hoje, esse número é maior. E tende a crescer nos próximos meses, não só pela crise econômica que perdura, mas porque as cidades do Litoral, tradicionalmente, são ponto de chegada para quem vive de ‘bicos’ na temporada, mas não tem onde morar. O ‘não fazer nada’ ou ‘fingir que não está acontecendo’ representam um risco sob qualquer ângulo de análise. Quanto maior o problema, menor é a capacidade dos órgãos públicos de dar conta de encaminhar e cuidar dessa população, quer pela limitação de pessoal técnico para atendê-la, quer pela insuficiência de espaços para acolhimento. Para além do tratamento humanitário que o quadro exige, há o risco iminente dos movimentos higienistas, que defendem e praticam ações truculentas e indignas, como se tem visto em outros municípios com igual situação. Subir a Serra e andar pela Capital é o melhor retrato do que pode se transformar a região no caso de encaminhamentos não serem tomados. São Paulo tem verdadeiros acampamentos de famílias inteiras vivendo nas ruas, em barracas de camping transformadas em residência, com condições de higiene e saúde indignas e desumanas. Crianças e jovens também convivem nesses ambientes, hostis no dia a dia e nada adequados para indivíduos em formação. É preciso colocar o tema na ordem do dia nos fóruns metropolitanos como o Condesb. É imperioso que, a exemplo de outras frentes, também aqui as universidades e setor empresarial se juntem a essa força-tarefa. Nem todos os que vivem nas ruas têm intenção de retomar a vida dita normal, mas essa condição sempre existiu. A tentativa é de resgatar os novos moradores das ruas, que chegaram a esse destino não por escolha pessoal, mas pela circunstância. A esses, sempre é possível devolver a cidadania, bastando ouvi-los e identificar, caso a caso, quais são suas demandas.